CBN Ribeirão 90,5 FM
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Pesquisador da Fiocruz analisa embate entre Anvisa e Butantan

Agência e Instituto vivem discordância sobre pesquisa da vacina Coronavac, suspensa após 'evento adverso grave'.
Anvisa e Butantan
Agência e Instituto vivem discordância sobre pesquisa da vacina Coronavac, suspensa após 'evento adverso grave'.

Agência e Instituto vivem discordância sobre pesquisa da vacina Coronavac, suspensa após ‘evento adverso grave’.

O caso recente envolvendo a morte de um voluntário em testes da vacina CoronaVac expôs falhas de comunicação entre o Instituto Butantan, a Anvisa e o Ministério da Saúde, gerando uma crise de confiança em um momento crucial da pandemia.

Jogo de Empurra-Empurra e Falta de Transparência

Testemunhamos nos últimos dias um jogo de empurra-empurra entre o Instituto Butantan e a Anvisa. O Butantan afirma ter fornecido todas as informações sobre o evento adverso (a morte do voluntário, posteriormente descoberta como suicídio), enquanto a Anvisa nega ter recebido tais informações. Essa falta de comunicação clara e transparente gerou desconfiança na população e alimentou especulações políticas.

Como Deveria Funcionar a Comunicação em Pesquisas Clínicas

De acordo com o diretor da Fiocruz, Rodrigo Stable, a comunicação em casos de eventos adversos graves em pesquisas clínicas deveria seguir um fluxo claro. Quando um centro de pesquisa detecta um evento adverso grave e inesperado, ele notifica o Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) e o patrocinador da pesquisa. O patrocinador, por sua vez, deve notificar imediatamente a Anvisa. No caso da CoronaVac, o Butantan afirma ter seguido este procedimento, notificando a Anvisa em 6 de novembro, após notificação do CEP em 30 de outubro. A Anvisa, no entanto, atribuiu a falta de recebimento da documentação a um problema de acesso. A lentidão na comunicação e a falta de clareza geraram uma crise de confiança, principalmente em um momento em que o Brasil precisa de uma vacina eficaz e segura contra a Covid-19.

Implicações e Próximos Passos

A falta de transparência e a aparente falta de comunicação entre as instituições envolvidas levantam sérias preocupações sobre a segurança e a eficácia da vacina. A população, os voluntários e a comunidade científica precisam de informações claras e precisas para manter a confiança no processo de desenvolvimento e aprovação de vacinas. A interrupção da fase 3 dos testes, embora comum, acentua a necessidade de uma investigação completa e transparente para esclarecer os fatos e restabelecer a confiança pública. A prioridade deve ser garantir a segurança dos voluntários e a eficácia da vacina, assegurando que o processo seja conduzido com total transparência e comunicação efetiva entre todas as partes envolvidas.

Veja também

Conteúdos

Reportar um erro

Comunique à equipe do Portal da CBN Ribeirão Preto, erros de informação, de português ou técnicos encontrados neste texto.