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Pesquisador da Fiocruz comenta sobre abertura de parques e estabelecimentos em Ribeirão

De acordo com o médico, Rodrigo Stábeli, flexibilização oferece sensação de falsa normalidade
abertura de parques
De acordo com o médico, Rodrigo Stábeli, flexibilização oferece sensação de falsa normalidade

De acordo com o médico, Rodrigo Stábeli, flexibilização oferece sensação de falsa normalidade

Desde a entrada da região na fase amarela, novas flexibilizações foram anunciadas pelo governo municipal, permitindo, por exemplo, a retomada das missas a partir do próximo sábado.

Possíveis consequências da flexibilização

De acordo com Rodrigo Stabili, pesquisador titular da Fiocruz, o não cumprimento das regras pode levar a um aumento da curva de infecção, resultando em uma regressão de fase. Ele compara a situação com a Itália, onde a flexibilização ocorreu após a queda da curva de infecção, ao contrário do que acontece na região em questão, onde a flexibilização se deu pelo aumento da disponibilidade de leitos, e não pela diminuição de casos. Qualquer aglomeração, portanto, pode desencadear uma segunda onda, possivelmente maior que a primeira.

Cenário atual de infecção e a taxa Rt

O índice Rt (taxa de transmissão do vírus) na região permanece alto (8,10), indicando que a cada 100 habitantes, mais de 100 podem ser infectados. Este número é alarmante e reflete o comportamento social, com aglomerações aumentando a probabilidade de contágio. O plano São Paulo considera um Rt acima de 2,7 como crítico, enquanto a região chegou ao máximo de 1,3. A falta de mudança de comportamento, mesmo após a flexibilização, indica que sem o cumprimento das medidas sanitárias, um aumento significativo de casos é esperado para o fim de atrássto, possivelmente levando a uma nova regressão de fase.

Aberturas controladas e o papel das escolas

O problema não está nas aberturas controladas, mas sim nas atividades clandestinas, onde não há controle e as medidas sanitárias são ignoradas. Eventos clandestinos, por exemplo, contribuem para a disseminação do vírus, principalmente entre adultos jovens (30 a 39 anos). Quanto à volta às aulas, Stabili destaca a necessidade de uma discussão democrática e coletiva com a sociedade, considerando que crianças podem ser vetores de transmissão, mesmo apresentando sintomas leves ou assintomáticas. A abertura das escolas deve levar em conta a saúde coletiva e não apenas o aspecto educacional, evitando a imposição de datas sem diálogo com a comunidade. A falta de transparência e diálogo pode gerar insegurança e impactar negativamente a retomada das atividades escolares, assim como ocorreu com o comércio.

Em suma, a retomada das atividades precisa ser cautelosa e acompanhada de um rigoroso cumprimento das medidas sanitárias, considerando o alto índice de transmissão e a necessidade de diálogo com a população para garantir a segurança coletiva. A experiência de outros países demonstra a importância de uma flexibilização gradual e baseada em dados concretos, evitando medidas precipitadas que possam levar a um aumento significativo de casos e a uma nova regressão de fase.

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