Rodrigo Stábeli também pede prudência na retomada das aulas presenciais para evitar a circulação do vírus
A Secretaria de Educação confirmou a suspensão das aulas até 30 de setembro devido ao acompanhamento dos dados do novo coronavírus na cidade e às diretrizes do Plano São Paulo de retomada da quarentena. Em entrevista à CBN, o pesquisador titular da Fiocruz, Rodrigo Estabile, discutiu a situação.
Retorno às aulas e prudência
Segundo Estabile, a prudência deveria ter guiado as decisões governamentais desde o início da pandemia. Ele destaca que a situação do Covid-19 no Brasil continua preocupante, mesmo com variações entre os estados. A análise não deve se restringir à cidade, mas considerar o entorno e a conexão com outras regiões, pois o vírus não respeita limites geográficos. A abertura de shoppings, em contraste com a preocupação com o retorno às aulas, evidencia a necessidade de cautela em situações que envolvam aglomerações. O pesquisador enfatiza o papel da escola como espaço democrático e de redução da desigualdade social, além da importância de ouvir a comunidade sobre o retorno às aulas, que, segundo ele, demonstra não desejar esse retorno.
Amamentação e fake news sobre termômetros
Estabile também abordou questões importantes como a amamentação durante a infecção pelo coronavírus. Ele afirma que não há evidências de transmissão do vírus pelo leite materno, que, ao contrário, é rico em nutrientes e anticorpos, protegendo o bebê. A amamentação, além do benefício nutricional, fortalece o vínculo afetivo mãe-bebê. Em relação às fake news, ele desmentiu informações sobre termômetros infravermelhos causarem câncer ou injetarem vírus. Esses termômetros medem a emissão de calor e não emitem radiação. Embora a medição de temperatura seja uma medida paliativa e dê uma falsa sensação de segurança, a higiene pessoal, o uso de máscara e o distanciamento físico são cruciais.
Leia também
Ocupação de leitos e alerta à população
Por fim, Estabile alertou sobre a alta ocupação de leitos de UTI (76%) e enfermaria (70%) em Ribeirão Preto, com números ainda maiores quando se considera apenas o sistema público e filantrópico. Esse aumento se dá três semanas após a cidade ter avançado para a fase amarela do Plano São Paulo, indicando um crescimento nos casos de Covid-19. O pesquisador reforça que a pandemia não acabou e que a população precisa manter a vigilância e os cuidados individuais para evitar uma nova saturação do sistema de saúde.



