Margareth Dalcolmo defendeu o confinamento e comentou sobre necessidade de ação conjunta, do governo e da população
O mais recente boletim da Fiocruz aponta para o rejuvenecimento da pandemia de Covid-19 no Brasil. Dados nacionais mostram aumento de mortes entre 20 e 29 anos e entre 40 e 49 anos, com maior crescimento de casos nesta última faixa etária. A situação em Ribeirão Preto reflete a tendência nacional, com aumento de internações e óbitos em jovens e adultos devido à circulação de novas variantes.
Mudança no perfil da pandemia
Em entrevista à CBN, a pneumologista e pesquisadora da Fiocruz, Margarete Dalcomo, explicou que essa mudança no perfil da pandemia era previsível. Com a alta cobertura vacinal em idosos, houve redução na pressão sobre hospitais e mortes nessa faixa etária. Por outro lado, a alta transmissibilidade de novas variantes, como a P1, e a grande mobilidade social entre jovens contribuíram para a disseminação do vírus entre esse grupo populacional.
Necessidade de medidas de contenção e vacinação
A médica ressaltou a urgência de medidas de contenção, como evitar aglomerações e o uso de máscaras de boa qualidade, até que a cobertura vacinal seja ampla. A falta de medidas de contenção, como a redução do uso de transportes coletivos, foi apontada como um fator crucial para o agravamento da situação. A Dra. Dalcomo também destacou a importância de doações de máscaras de qualidade, pois nem todos têm condições de adquiri-las. Ela enfatizou que quanto mais atividades forem realizadas ao ar livre, menor será o risco de transmissão.
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Impacto de cortes em pesquisas e desigualdade no acesso à saúde
A pesquisadora lamentou o corte de verbas para pesquisas de vacinas contra a Covid-19, como o ocorrido com um projeto na USP de Ribeirão Preto. Ela destacou a importância do investimento em ciência e tecnologia para combater a pandemia e alertou para a necessidade de assistência social às comunidades mais vulneráveis, que enfrentam dificuldades para cumprir o distanciamento social. A Dra Dalcomo apontou a situação preocupante em cidades como Barretos e Bebedouro, com filas de espera em UTIs e a difícil escolha de pacientes para internação. Ribeirão Preto também se encontra em situação crítica, com índices de ocupação de leitos próximos ao colapso. A especialista finaliza enfatizando a necessidade de medidas mais firmes e homogêneas em todo o país, acompanhadas de uma comunicação clara à população, alertando para a longa duração da pandemia e a necessidade de mudanças de comportamento por um longo período. A falta de vacinas suficientes e a velocidade aquém do desejável na vacinação são fatores que contribuem para a dificuldade de controlar a pandemia nos próximos meses.



