Batizado como Boipeba tayasuensis, animal teria vivido no período cretácio, há 87,8 milhões de anos
Paleontólogos da USP de Ribeirão Preto anunciaram a descoberta de um fóssil raro de serpente na região de Monte Alto, São Paulo. A espécie, nomeada Boiteba taiaçuense, viveu há mais de 87 milhões de anos e está extinta.
Uma cobra antiga e achatada
A Boiteba taiaçuense, cujo nome significa “cobra chata” em Tupi-Guarani, recebeu essa denominação devido à forma achatada de sua vértebra fossilizada. A descoberta é inédita no estado de São Paulo, preenchendo uma lacuna no conhecimento sobre a evolução das serpentes.
Evolução e ancestralidade
A Boiteba pertence à linhagem das cobras cegas (escolecofídeas), que hoje são bem menores (até 30 cm) e vivem no subsolo. O tamanho maior da Boiteba (aproximadamente 1 metro) sugere que a redução de tamanho ocorreu posteriormente na evolução do grupo. Os registros fósseis mais antigos desse grupo eram encontrados na Europa e África (45-50 milhões de anos), mas a Boiteba demonstra que a origem das cobras cegas pode ser bem mais antiga e localizada na América do Sul, durante o período Cretáceo, no supercontinente Gondwana.
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Importância da descoberta
Esta descoberta reforça a importância do Brasil, e em particular o estado de São Paulo, no cenário da paleontologia mundial. A Boiteba contribui para o entendimento da evolução das serpentes e demonstra a necessidade de mais investimentos em pesquisa paleontológica no país. Outras serpentes fósseis encontradas na região de Monte Alto estão em estudo e prometem novas descobertas.



