CBN Ribeirão 90,5 FM
Colunistas
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Pesquisadora tem bolsa de produtividade recusada pelo CNPq por ter estado grávida

Órgão citou que gestações de professora da UFABC impediram que ela fizesse pós-doutorado internacional como motivo para recusa
bolsa produtividade CNPq
Órgão citou que gestações de professora da UFABC impediram que ela fizesse pós-doutorado internacional como motivo para recusa

Órgão citou que gestações de professora da UFABC impediram que ela fizesse pós-doutorado internacional como motivo para recusa

O ano de 2023 se encerra com uma polêmica envolvendo o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), principal órgão de fomento à pesquisa no Brasil. Uma professora da Universidade Federal do ABC teve seu pedido de bolsa de produtividade recusado com a justificativa de que suas gestações atrapalharam a realização de seu pós-doutorado no exterior.

O caso da professora Maria Carlotto e os dados alarmantes

O caso da professora Maria Carlotto expõe a dura realidade enfrentada por mulheres na ciência brasileira. Dados da FGV de 2022 revelam que uma em cada três mulheres sofre algum tipo de importunação no trabalho após a licença-maternidade, incluindo preconceito, demissão ou questionamentos constantes sobre os cuidados com os filhos. Apesar de representarem 52% da população brasileira e 40% dos doutores, as mulheres compõem apenas 33% da comunidade científica e apenas 12% são contempladas com bolsas de produtividade em pesquisa do CNPq.

A postura do CNPq e a falta de representatividade feminina

A negativa do CNPq, justificada pela maternidade da professora, gerou indignação. O fato de o parecer ter sido tornado público expôs uma violência de gênero. Embora o CNPq tenha se retratado, sem pedir desculpas formalmente, a situação evidencia a falta de representatividade feminina em órgãos decisórios e a persistência de preconceitos na ciência brasileira. A própria Helena Nader, primeira mulher a presidir a Academia Brasileira de Ciências (com 105 anos de existência), afirma que a ciência brasileira não é inclusiva. A concessão recente de licença-maternidade em bolsas de mestrado e doutorado representa um avanço, mas o preconceito persiste, com a crença de que a maternidade diminui a produtividade científica.

A luta por um futuro mais equitativo

A situação da professora Maria Carlotto e os dados apresentados demonstram a necessidade de uma luta contínua por mais equidade de gênero na ciência e em todos os setores da sociedade brasileira. Comparando com o Parlamento Europeu, que há mais de 30 anos apresenta equidade de gênero, fica evidente o longo caminho a ser percorrido no Brasil para alcançar uma maior inclusão e justiça social. A valorização das mulheres na ciência é fundamental para a construção de um país mais justo e desenvolvido.

Conteúdos

Reportar um erro

Comunique à equipe do Portal da CBN Ribeirão Preto, erros de informação, de português ou técnicos encontrados neste texto.