Hemocentro de Ribeirão Preto é um dos laboratórios a frente das pesquisas com células CAR-T
Pesquisadores brasileiros estão desenvolvendo uma versão nacional da terapia com células CAR-T, um tratamento promissor para câncer que utiliza células do próprio paciente modificadas em laboratório para atacar tumores. Atualmente, o tratamento comercial pode custar até R$ 3 milhões por pessoa no setor privado, devido à importação da tecnologia e à cotação do dólar.
A técnica já é utilizada comercialmente em outros países e em casos pontuais no Brasil, mas enfrenta limitações de custo e infraestrutura para ampla disponibilidade no Sistema Único de Saúde (SUS). O objetivo dos pesquisadores é reduzir os custos para que o tratamento possa ser oferecido tanto no SUS quanto na rede particular, com uma redução estimada para 15% a 20% do valor comercial atual.
O Emocentro de Ribeirão Preto, em parceria com a Universidade de São Paulo (USP) e o Instituto Butantan, lidera um dos projetos mais avançados, que já iniciou um estudo clínico com 81 pacientes em cinco centros brasileiros, incluindo hospitais em Ribeirão Preto, Campinas e São Paulo. O estudo, financiado com R$ 100 milhões pelo Ministério da Saúde, visa obter o registro da terapia junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para disponibilizá-la no SUS.
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O processo atual de tratamento envolve a coleta das células no Brasil, envio para laboratórios nos Estados Unidos ou Europa para modificação e congelamento, e posterior retorno para aplicação, o que pode levar mais de 40 dias. A produção nacional pretende reduzir esse tempo para cerca de quatro semanas, acelerando o tratamento.
Além do câncer, os pesquisadores planejam iniciar estudos clínicos para o tratamento de doenças autoimunes, como o lúpus eritematoso sistêmico, utilizando a mesma estrutura desenvolvida para a terapia CAR-T. O grupo também mantém parcerias internacionais, como com a Universidade PSL e o Instituto Curie, para o desenvolvimento de terapias celulares para linfomas específicos.
Pontos-chave
- Tratamento com células CAR-T pode custar até R$ 3 milhões no setor privado devido à importação da tecnologia.
- Projeto nacional liderado pelo Emocentro de Ribeirão Preto busca reduzir custos e tempo de produção para oferecer terapia no SUS.
- Estudo clínico com 81 pacientes em cinco centros brasileiros visa registro junto à Anvisa, com resultados previstos para 2026.
- Planos para ampliar uso da terapia para doenças autoimunes e parcerias internacionais fortalecem pesquisa.
Entenda melhor
A terapia CAR-T consiste em modificar geneticamente células de defesa do próprio paciente para que reconheçam e destruam células cancerígenas. A aprovação da Anvisa para alguns tipos de tumores, como leucemias, linfomas e mieloma múltiplo, já foi concedida para produtos comerciais, mas o alto custo e a logística dificultam o acesso amplo no Brasil.



