Ideia é compreender como o vírus se espalha pelo país e quais as pessoas que eles afetam
Pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos, em parceria com a Universidade do Minho (Portugal), analisaram 50 mil amostras de HIV coletadas no Brasil entre 2008 e 2017. O estudo, que incluiu dados sociodemográficos, laboratoriais e sobre práticas sexuais dos infectados, buscou compreender a distribuição dos subtipos do vírus no país.
Distribuição dos Subtipos de HIV no Brasil
A pesquisa identificou 10 subtipos de HIV circulando no Brasil. Os mais prevalentes foram o subtipo B (64,15% dos casos) e o subtipo C (13,02%). Uma diferença regional marcante foi observada: o subtipo C concentrou-se na região Sul, enquanto o subtipo B predominou nas demais regiões.
Diferenças entre os Subtipos B e C
Embora todos os subtipos sejam transmitidos pelas mesmas vias (relações sexuais sem preservativo, compartilhamento de seringas, aleitamento materno, gravidez e parto), o professor Bernardino Geraldo Alves Solto destaca diferenças. O subtipo C, mais comum no Sul, apresenta maior afinidade com células vaginais, enquanto o subtipo B, predominante no restante do país, mostra maior afinidade com células anais. Essa diferença, segundo o professor, está relacionada a fatores socioculturais que influenciam os modos de transmissão. Além disso, os subtipos apresentam diferentes reações no organismo e respostas aos medicamentos. O subtipo C, por exemplo, destrói o sistema imunológico mais lentamente que o subtipo B, e apresenta diferentes padrões de resistência a medicamentos.
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Implicações e Próximos Passos
O estudo indica que o subtipo C originou-se na África, enquanto o subtipo B veio do hemisfério Norte. A pesquisa atrásra se concentrará em entender a evolução dos subtipos no Brasil e sua resistência a medicamentos, especialmente o Maraviroc. Os resultados servirão de base para futuras pesquisas, auxiliarão no aprimoramento de protocolos de tratamento e campanhas de prevenção à Aids, e informarão a formulação de políticas públicas regionais mais eficazes, considerando as particularidades de cada região do país. A necessidade de políticas públicas adaptadas às realidades regionais se justifica pelas diferenças na distribuição dos subtipos e seus padrões de transmissão e adoecimento.


