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Pesquisadores da USP descobrem que substância presente no açafrão pode ajudar no combate à dengue

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Açafrão combate dengue
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Uma especiaria comum no Brasil pode se tornar ainda mais valiosa. Pesquisas recentes apontam para a eficácia do açafrão no combate à dengue. A curcumina, substância responsável pela coloração amarela característica do açafrão, demonstra um efeito devastador sobre as larvas do mosquito transmissor, interrompendo seu ciclo de vida.

O Papel Crucial da Luz

Larissa de Souza, mestranda em biotecnologia da USP de São Carlos e uma das pesquisadoras, destaca a importância da luz no processo. Segundo ela, a curcumina já possui propriedades larvicidas comprovadas, atuando como um fotosensibilizador. “Essa substância já tem o efeito larvicida, né, porque já foi comprovado pela literatura, e ela também é um fotosensibilizador, ela é uma molécula que vai ser ativada por luz, né, e se ela estiver em contato ali, é quando ela for ativada pela luz, se ela estiver em contato com células, ela vai destruir essas células quando ela é ativada por luz”, explica Larissa.

Resultados Promissores em Testes Preliminares

As pesquisas continuam, mas os resultados preliminares são promissores. Larvas que ingeriram curcumina e foram expostas à luz solar por até 24 horas apresentaram uma taxa de mortalidade de 100%. A luz atravessa o corpo da larva, ativando a curcumina no intestino e causando danos oxidativos nas células, levando à morte. Em testes sob luz natural, o efeito foi ainda mais rápido, com as larvas morrendo em apenas duas horas.

Atenção: O Açafrão em Pó Não Basta

É importante ressaltar que a pesquisadora adverte: adicionar o tempero diretamente na água não é suficiente para eliminar as larvas do mosquito. “Não tem o mesmo efeito, né, porque não tem pesquisas ainda relatando que o açafrão, né, propriamente dito o tempero, ele é um larvicida, um foto inseticida, é uma substância que deriva do açafrão, né, que é extraída ali do açafrão da terra”, esclarece Larissa. A pesquisa foca no componente isolado, a curcumina.

Próximos Passos e Potencial de Mercado

Por ser um composto natural, que também pode ser produzido sinteticamente em laboratório, a curcumina não deve causar prejuízos ao meio ambiente. A pesquisa está em andamento, e as próximas etapas investigarão o potencial da curcumina contra outros insetos. Os pesquisadores da USP de São Carlos estimam que a substância possa ser comercializada em aproximadamente quatro meses. Os estudos e análises serão submetidos a um processo de patenteamento.

Os resultados abrem portas para uma nova abordagem no controle da dengue, utilizando um composto natural e acessível.

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