O professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, Norberto Peporine Lopes, detalhou todas as etapas do projeto
Um novo medicamento com potencial para combater a Covid-19 está em desenvolvimento na Universidade de São Paulo (USP), em Ribeirão Preto. O projeto, iniciado há cinco anos e financiado pelo governo federal, focou inicialmente na produção do antirretroviral fumarato de tenofovir no Brasil.
Da Aids à Covid-19: Reposicionamento de Medicamentos
A pesquisa, inicialmente voltada para o tratamento da Aids, teve um reposicionamento estratégico. Observou-se, através de estudos computacionais, que a substância do fumarato de tenofovir poderia também ser eficaz contra o vírus da Covid-19, interagindo com a RNA polimerase viral e diminuindo a replicação viral em até 15 vezes. Essa descoberta impulsionou a pesquisa para uma nova aplicação.
Resultados Promissores e Próximos Passos
Após testes in vitro, os resultados foram publicados e demonstraram a eficácia da substância. Atualmente, estudos clínicos com pacientes reais estão em andamento, com a expectativa de resultados em um período de 14 a 28 dias. Devido ao reposicionamento do medicamento, algumas etapas de testes de segurança foram simplificadas, acelerando o processo. Os pesquisadores esperam que o medicamento reduza o tempo de internação de pacientes com Covid-19, embora ressaltem a necessidade de cautela até a conclusão dos estudos clínicos.
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Expectativas e Responsabilidade Científica
Embora os resultados preliminares sejam promissores, os pesquisadores da USP enfatizam a importância da responsabilidade científica, evitando criar expectativas irreais. A principal expectativa é a redução do tempo de internação hospitalar. Resultados mais conclusivos sobre a eficácia e potenciais efeitos colaterais só serão possíveis após a finalização dos estudos clínicos em andamento. A pesquisa demonstra o potencial da universidade em fornecer respostas inovadoras para os desafios da saúde pública.



