Quem explica como funciona a técnica é responsável pela pesquisa e farmacêutico bioquímico, Bruno Ruiz Brandão da Costa
Diagnóstico precoce é fundamental para o tratamento eficaz do câncer, especialmente em casos com histórico familiar. Uma pesquisa na Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, em Ribeirão Preto, desenvolveu uma técnica inovadora para diagnosticar a doença a partir de amostras de saliva e urina.
Análise de Compostos Orgânicos Voláteis
A técnica analisa os compostos orgânicos voláteis (COVs) presentes na saliva e urina. COVs são substâncias que se vaporizam facilmente. A análise do perfil desses compostos permite diferenciar pessoas com câncer de indivíduos saudáveis. Em testes iniciais, com foco em câncer de cabeça e pescoço e câncer gástrico, o método atingiu 84,8% de especificidade, indicando alta precisão na identificação de amostras positivas.
Menos Invasivo e Mais Acessível
A coleta de saliva e urina é um processo simples, não invasivo e mais confortável para o paciente, em comparação com métodos tradicionais como coleta de sangue ou biópsias. Além do conforto, a técnica também apresenta vantagens em termos de custo. O equipamento utilizado é mais acessível do que os encontrados em hospitais e laboratórios de pesquisa, e os materiais de coleta são de baixo custo.
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Próximos Passos e Implicações
A pesquisa está em fase inicial, com um número limitado de participantes. Os próximos passos incluem expandir a amostragem para um grupo maior e realizar testes em diferentes laboratórios, utilizando o mesmo equipamento, para garantir a reprodutibilidade dos resultados. O objetivo é desenvolver um exame barato, acessível e rápido, que contribua para o diagnóstico precoce do câncer, aumentando as chances de tratamento bem-sucedido e melhorando a qualidade de vida dos pacientes. A técnica, se comprovada em larga escala, pode revolucionar o acesso a diagnósticos precoces, especialmente na rede pública de saúde.



