Complexo proteico auxilia algumas espécies azuis a ficarem verde e se esconderem de predadores ou de presas em meio a folhagens
Um estudo recente revelou um surpreendente mecanismo de camuflagem em algumas espécies de sapos. Pesquisadores argentinos e brasileiros descobriram que certos anfíbios utilizam um complexo proteico azul para se misturar à vegetação e escapar de predadores.
Camuflagem com Proteína Azul
A pesquisa, liderada pelo professor Norbeto Pecorini da USP de Ribeirão Preto, focou na espécie B. punctata, conhecida por sua bioluminescência. O segredo da camuflagem reside em uma proteína serpina, que geralmente está associada à proteção, mas, nesse caso, une-se à biliverdina, um pigmento verde, resultando em uma coloração azul. Apesar da cor azul do complexo, o efeito final é uma camuflagem verde.
A Mágica da Biliverdina
A biliverdina, substância tóxica para a maioria dos animais, é acumulada pelos sapos. Em humanos, ela é rapidamente eliminada, mas esses anfíbios evoluíram para sintetizá-la com uma proteína, criando um complexo que emite luz azul. Como a pele dos sapos é amarela, a combinação do azul com o amarelo resulta no verde, perfeito para a camuflagem em meio às plantas.
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Sucesso Evolutivo
A pesquisa analisou oito espécies de sapos, com foco na B. punctata. A capacidade de estabilizar esse complexo proteico e gerar a cor verde para camuflagem representa uma notável adaptação evolutiva, contribuindo para o sucesso da espécie. O estudo, publicado em revista científica, destaca a colaboração entre pesquisadores argentinos e brasileiros e a importância de investigar a química de sistemas biológicos para entender estratégias de sobrevivência na natureza.



