Estudo que tem colaboração de australianos e norte-americanos desde 2008 descobre molécula que acaba com inflamação no organismo
A sepse, ou infecção generalizada, representa um quarto dos leitos ocupados em Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) no Brasil e é a principal causa de morte nesses ambientes, segundo o Ministério da Saúde. No entanto, recentes descobertas nos laboratórios da USP de Ribeirão Preto podem trazer novas perspectivas para o tratamento dessa condição.
Descoberta promissora na USP de Ribeirão Preto
O professor Dario Zamboni, do Departamento de Biologia Celular e Molecular e Bioagentes Patogênicos da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, identificou e testou uma proteína capaz de modular a resposta do sistema imunológico, impedindo o início de um processo inflamatório exacerbado. Essa proteína é expressa pela bactéria Coxiella burnetii, conhecida por causar pneumonia e por sua capacidade de inibir o sistema imunológico.
Coxiella burnetii: de arma biológica a alvo de pesquisa
A Coxiella burnetii já era estudada, inclusive como potencial arma biológica, o que impulsionou o investimento em pesquisas sobre ela. Nos últimos 10 anos, avanços significativos foram alcançados, como o sequenciamento do genoma da bactéria e o desenvolvimento de meios de cultura para cultivá-la fora das células. Esses avanços permitiram a pesquisadores, como Zamboni, descobrir aspectos importantes sobre a bactéria e sua interação com o sistema imunológico.
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Implicações para o tratamento da sepse e outras doenças inflamatórias
A proteína descoberta tem a capacidade de inibir a ativação do sistema imune e conter a inflamação. Embora a inflamação seja essencial para combater infecções, em excesso, pode levar à morte. Doenças inflamatórias crônicas, como a sepse, causam uma inflamação intensa que pode levar à falência de órgãos. Nesses casos, moléculas anti-inflamatórias que inibem esses processos podem ser benéficas. O próximo passo da pesquisa é entender como a proteína age e continuar estudando outras moléculas.
A identificação dessa proteína representa um avanço importante na compreensão da sepse e abre caminhos para o desenvolvimento de novas terapias, especialmente em um cenário de crescente resistência bacteriana aos antibióticos.



