As quedas são a 2ª maior causa de morte entre pessoas com idade acima de 65 anos; coordenadora da pesquisa explica o estudo
Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto desenvolveram um teste rápido capaz de prever o risco de quedas em idosos com até seis meses de antecedência — Pesquisadores da USP Ribeirão desenvolvem teste —. As quedas são a segunda maior causa de morte relacionada a ferimentos em pessoas com mais de 65 anos.
Desenvolvimento do teste: O estudo envolveu mais de 150 idosos a partir de 60 anos, residentes em Ribeirão Preto e região. Eles foram avaliados em quatro posições diferentes de equilíbrio em pé: pés paralelos, pés juntos, posição semitandem (um pé levemente à frente do outro), posição tandem (calcanhar de um pé tocando os dedos do outro) e posição unipodal (ficar em uma perna só). Cada posição foi mantida por 30 segundos sobre uma plataforma de força que mede a oscilação corporal.
Acompanhamento e resultados: Após a avaliação inicial, os participantes foram acompanhados mensalmente por seis meses para registrar ocorrências de quedas e suas consequências. O teste demonstrou capacidade de identificar idosos com maior risco de queda nesse período.
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Aplicabilidade e recomendações: Segundo a coordenadora do Laboratório de Avaliação e Reabilitação do Equilíbrio da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Daniela Cristina Carvalho de Abrê, o teste é recomendado por diretrizes internacionais e pode ser utilizado como rastreio inicial do risco de queda, preferencialmente junto com testes rápidos de mobilidade, como a avaliação da velocidade da caminhada.
O teste pode ser simplificado para as duas posições mais desafiadoras (tandem e unipodal) e deve ser realizado por 30 segundos em cada posição para detectar problemas sutis de equilíbrio. A aplicação é rápida, simples, não requer equipamentos caros nem grande espaço, podendo ser feita em consultórios e unidades básicas de saúde.
Próximos passos e implementação: Após a identificação do risco, o idoso deve passar por avaliações mais detalhadas para determinar as causas do desequilíbrio e receber orientações específicas, que podem incluir exercícios físicos, consultas com especialistas e adaptações no ambiente doméstico para reduzir o risco de quedas.
A implementação do teste na atenção básica depende da colaboração entre cientistas, profissionais de saúde, gestores e sociedade. A divulgação dos resultados científicos e a mobilização social são fundamentais para que o rastreio se torne uma prática obrigatória, promovendo um envelhecimento mais seguro e saudável.
Entenda melhor
O teste de equilíbrio avalia a capacidade do idoso de manter a estabilidade em diferentes posições, e sua execução simples permite a identificação precoce de riscos, possibilitando intervenções preventivas eficazes.



