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Pesquisadores desenvolvem ferramenta que deve ajudar na preservação de obras de Portinari

Aparelho infravermelho ajudará a levantar dados das obras que irão auxiliar na manutenção do acervo
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Aparelho infravermelho ajudará a levantar dados das obras que irão auxiliar na manutenção do acervo

Aparelho infravermelho ajudará a levantar dados das obras que irão auxiliar na manutenção do acervo

A professora e pesquisadora do Instituto de Física da USP de São Paulo, Marcia Rizzuto, utiliza tecnologia de ponta para desvendar os segredos da obra de Cândido Portinari. Com equipamentos modernos instalados em um laboratório montado na Casa de Portinari, em Batatais, a especialista analisa as pinturas do artista com o objetivo de auxiliar na preservação e restauro das obras.

Análise da paleta de cores e processo criativo

Um dos aparelhos utilizados é uma câmara de reflectância de infravermelho. Essa tecnologia permite visualizar desenhos subjacentes à pintura, analisando as correlações entre pigmentos e o processo criativo do artista. A pesquisa busca identificar se Portinari utilizava rascunhos e se há repetição de técnicas em diferentes obras, comparando semelhanças e diferenças entre elas. A análise também identifica os elementos químicos das cores utilizadas.

Descobertas e arrependimentos

A pesquisa já revelou alguns arrependimentos do pintor, como mudanças de ideia durante a execução de obras, como a “Visitação”, na capela da Casa de Portinari. A análise detalhada, que pode levar dias por obra, permite entender as etapas do processo criativo, identificando, por exemplo, alterações no desenho original. A complexidade do trabalho exige um estudo minucioso de cada detalhe.

Preservação e restauro

As informações coletadas serão analisadas pelo Instituto de Física da USP, subsidiando ações de conservação das obras. A identificação precisa dos pigmentos (branco de titânio, zinco e chumbo) auxilia na compreensão da degradação das cores e orienta o processo de restauro. O restaurador Júlio Moraes, responsável pelo museu há 30 anos, destaca a importância dessa colaboração para um trabalho mais seguro e eficaz, permitindo reverter intervenções inadequadas e projetar a conservação futura das obras. A diretora do museu, Angélica Fabre, celebra a iniciativa como uma grande vitória, assegurando a preservação de obras importantes para as gerações futuras. Oito obras estão sendo analisadas, incluindo “São Francisco pregando aos pássaros”.

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