No novo método, o sangue do paciente é modificado para que as células voltem ao organismo e combatam a doença
Pesquisadores do Hemocentro de Ribeirão Preto estão desenvolvendo um novo método promissor para o tratamento da leucemia, um tipo de câncer que afeta as células sanguíneas e compromete a capacidade do organismo de combater infecções.
Um tratamento inovador
O tratamento, inicialmente desenvolvido na Universidade da Pensilvânia (EUA), já demonstrou resultados animadores, com taxa de cura de 83% em pacientes com leucemia aguda. A técnica consiste em retirar cerca de 300ml de sangue do paciente, modificar geneticamente seus linfócitos (glóbulos brancos) e reintroduzi-los no organismo. Essas células modificadas, então, atuam como um medicamento, identificando e destruindo as células cancerígenas.
Como funciona a terapia celular
De acordo com o pesquisador Rodrigo Calado, o processo envolve a modificação genética dos linfócitos para que reconheçam e ataquem especificamente as células leucêmicas. A modificação genética torna as células 100 mil vezes mais fortes na luta contra o câncer, impedindo que as células cancerígenas se “escondam” do sistema imunológico. Embora apresente resultados promissores, o tratamento também apresenta riscos de efeitos colaterais.
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Desafios e perspectivas futuras
Apesar do potencial revolucionário, o tratamento ainda está em fase de testes, atualmente realizados em camundongos. A expectativa é iniciar os testes em humanos em 2019, seguindo o exemplo dos Estados Unidos. Um dos principais desafios é reduzir o custo do tratamento, atualmente estimado em R$ 1,5 milhão por paciente. A leucemia é uma doença significativa, com mais de 23 mil novos casos registrados no Brasil em 2016 (dados do Instituto Nacional do Câncer). Este novo método representa uma esperança para pacientes que não respondem adequadamente à quimioterapia convencional, oferecendo a possibilidade de remissão e cura da doença, ou seja, o desaparecimento completo das células tumorais. Um workshop sobre o método será realizado em novembro na USP de Ribeirão Preto.



