Moléculas foram extraídas dos insetos e estão sendo produzidas de forma sintética; professor Anderson Sá Nunes traz os detalhes
Uma pesquisa inovadora mostrou que a saliva do mosquito Aedes aegypti pode conter a chave para o tratamento de doenças inflamatórias intestinais. Estudos realizados por pesquisadores do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto, do Instituto Butantan e do Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos revelaram propriedades anti-inflamatórias em um peptídeo presente na saliva do mosquito.
Resultados promissores em animais
Em experimentos com animais, o tratamento com a saliva do mosquito, e posteriormente com uma versão sintética do peptídeo identificado, demonstrou melhora significativa nos sintomas de doenças inflamatórias intestinais. A pesquisa, liderada pelo professor Anderson Sanunes, do Departamento de Imunologia do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, indica que este peptídeo pode ser uma alternativa terapêutica promissora.
Alvos e próximos passos
As doenças inflamatórias intestinais englobam diversas condições, como a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa. A escolha do mosquito fêmea para o estudo se justifica pelo fato de que apenas as fêmeas se alimentam de sangue, desenvolvendo as substâncias presentes na saliva que interagem com o sistema imunológico humano. A produção sintética do peptídeo garante maior escalabilidade e redução de custos para um possível tratamento futuro. Apesar dos resultados animadores, o estudo ainda está em fase experimental e novas etapas pré-clínicas são necessárias para avaliar a segurança e a eficácia do tratamento em humanos. A pesquisa, iniciada em 2013/2014, demonstra a necessidade de investimento contínuo para que pesquisas como essa possam progredir.
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A descoberta de propriedades terapêuticas na saliva do Aedes aegypti representa um avanço significativo na busca por novos tratamentos para doenças inflamatórias intestinais. Embora ainda em fase inicial, os resultados demonstram a importância da pesquisa científica e o potencial de descobertas inesperadas em áreas aparentemente distintas.



