Em 2016 das 10 milhões de pessoas diagnosticadas com a doença no mundo, 660 mil não responderam ao tratamento tradicional
Apesar da existência de tratamento para a tuberculose, muitos pacientes não respondem bem aos medicamentos disponíveis. Um estudo realizado por pesquisadores da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto trouxe avanços significativos na compreensão e combate à doença.
Sequenciamento Genômico: Uma Nova Abordagem
A pesquisa utilizou a técnica de sequenciamento genômico total para detectar mutações do agente causador da tuberculose resistente a medicamentos. Foram analisados bacilos coletados de pacientes brasileiros no Hospital das Clínicas e de pacientes em Moçambique, no Hospital Central da Beira. Este trabalho pioneiro no país permitiu identificar as diferentes mutações presentes nos casos resistentes, contribuindo para um tratamento mais eficaz.
Brasil e Moçambique: Cenários da Tuberculose Resistente
Em 2016, o Brasil registrou pouco mais de mil casos de tuberculose resistente a medicamentos de primeira linha. Moçambique, incluído nas três listas da Organização Mundial da Saúde de países com alta carga de tuberculose (alta incidência, tuberculose associada a HIV e tuberculose multidroga resistente), apresenta um cenário ainda mais crítico. A escolha desses dois países para o estudo se justifica pela concentração de casos de tuberculose no mundo (cerca de 87% dos casos estão em 30 países, incluindo Brasil e Moçambique).
Perspectivas Futuras
Os resultados do sequenciamento genômico mostram-se promissores para o desenvolvimento de novos medicamentos e tratamentos. A expectativa é de que novos investimentos impulsionem pesquisas que aprimorem técnicas de diagnóstico de resistência a drogas e contribuam para a criação de novas drogas para o tratamento da tuberculose. As pesquisas genômicas oferecem perspectivas animadoras para o futuro do combate a essa doença.



