Pesquisas conduzidas pelo CEPENFITO (Centro de Pesquisa em Engenharia – Fitossanidade em cana-de-açúcar) apontam avanços importantes no combate ao bicudo-da-cana, praga que se consolidou como um dos maiores desafios fitossanitários da cana-de-açúcar. O inseto tem hábito críptico, permanecendo escondido na base da planta e abaixo do solo, o que dificulta a eficácia das aplicações de defensivos biológicos ou químicos.
Segundo o pesquisador e pós-doutorando Rodrigo Cupertino Bernardes, o principal desafio do manejo é justamente conseguir atingir o inseto. As regiões produtoras mais impactadas estão concentradas nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Goiás e parte da Bahia, com destaque para a região de Piracicaba, onde se registram os maiores índices de ocorrência da praga.
Os estudos já apresentam resultados práticos no campo. A aplicação de inseticidas acoplada à vinhaça, por exemplo, mostrou um aumento médio de 4% na produtividade em grandes áreas, número considerado expressivo pelo setor. Além disso, o uso de drones e imagens aéreas para monitoramento permite identificar áreas infestadas com mais precisão, otimizando o manejo e reduzindo perdas. O avanço tecnológico desenvolvido em laboratório começa, assim, a gerar impacto direto na produtividade agrícola.