Motivo é a falta de comprovação da eficácia, já que apenas uma das 72 pessoas que usaram o medicamento apresentou melhora
Para muitos, a notícia foi um balde de água fria: o Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Inceesp) suspendeu o recrutamento de novos pacientes para os testes clínicos da fósfoeta na lamina, uma pílula que gerava esperanças na cura do câncer.
Testes sem resultados positivos
Segundo o diretor-geral do Inceesp, Paulo Roff, a primeira etapa dos estudos clínicos não apresentou benefícios significativos. De 72 pacientes participantes, 59 foram reavaliados, e apenas um apresentou regressão de 30% do tumor (o mínimo exigido pela pesquisa). Este paciente tinha melanoma; os demais 58 não tiveram melhora alguma após o uso da pílula. Para ser considerada eficaz, a fósfoeta na lamina precisaria apresentar redução tumoral de pelo menos 30% em 10% dos pacientes.
Reação do secretário de saúde
O secretário estadual da saúde, Davi Wip, em entrevista coletiva, lamentou a falta de resultados positivos, reconhecendo a expectativa da sociedade em relação ao medicamento. Ele enfatizou o compromisso com a ciência e a transparência dos resultados da pesquisa.
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A origem da pílula
Desenvolvida pelo pesquisador Gilberto Chieri no Instituto de Química da USP de São Carlos, a fósfoeta na lamina sintética foi distribuída gratuitamente a pacientes com câncer por mais de 20 anos, mesmo sem a aprovação da Anvisa para uso em humanos. Até o fechamento desta reportagem, não obtivemos retorno do professor Chieri para comentar sobre a suspensão dos testes.
A suspensão dos testes representa um revés para aqueles que buscavam na fósfoeta na lamina uma alternativa no combate ao câncer. A ciência, porém, exige rigor e a busca contínua por resultados comprovadamente eficazes.



