Nesta segunda-feira (10) é celebrado o dia Mundial da Prevenção do Suicídio
Entrar em uma universidade pública de excelência, como a USP, representa a realização de um sonho e a expectativa de um futuro promissor. Para docentes e funcionários, a estabilidade de um cargo concursado é ainda mais valorizada em tempos de incertezas políticas e econômicas. No entanto, uma carta aberta revela uma dura realidade: estudantes, docentes e funcionários da USP estão adoecendo, com riscos que podem levar ao suicídio.
Um problema multifatorial
A professora doutora Kelly Vedana, da Escola de Enfermagem da USP de Ribeirão Preto, destaca a natureza multifatorial do problema. Histórico de violência, falta de perspectiva e excesso de cobrança são gatilhos que levam muitas pessoas a cogitar o suicídio. Sinais como desespero, sensação de desamparo, falta de perspectiva e pensamentos recorrentes de morte devem ser tratados com atenção. A especialista alerta para a importância de se cobrar menos, reconhecendo que a busca pela perfeição pode ser prejudicial à saúde mental.
Rompendo o silêncio e buscando ajuda
Vedana enfatiza a necessidade de romper a bolha do silêncio e buscar ajuda. A desmistificação da busca por tratamento de saúde mental é crucial, tão importante quanto procurar ajuda para uma doença física. É preciso olhar para o outro, observar alterações de humor e comportamento nos amigos e colegas de trabalho. O Brasil ocupa a oitava posição no ranking mundial de suicídios, sendo a segunda maior causa de morte entre jovens de 15 a 29 anos. A cada 45 minutos, um brasileiro tira a própria vida, segundo dados da Abrasco.
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Prevenção e apoio
Diante da gravidade da situação, a prevenção é fundamental. O acompanhamento profissional, atividades terapêuticas e, em alguns casos, medicamentos, são importantes ferramentas. O CVV (Centro de Valorização da Vida), pelo telefone 188, oferece apoio e escuta. A USP de Ribeirão Preto, desde 2016, conta com um núcleo de prevenção ao suicídio, capacitando profissionais de saúde para um atendimento mais humanizado. A conscientização e a busca por ajuda são passos essenciais para combater esse problema de saúde pública.


