Especialista em agronegócio, José Luis Coelho, analisou a decisão e falou sobre o impacto nos combustíveis
A Petrobras anunciou um aumento de 5% no preço do gás de cozinha, o sexto aumento consecutivo. Para entender os motivos por trás desse reajuste, conversamos com o consultor de agronegócios José Luiz Coelho.
Fatores que influenciaram o reajuste
Segundo Coelho, o aumento é justificado pela alta do dólar e pela subida do preço do GLP (gás liquefeito de petróleo) no mercado norte-americano. A Petrobras, afirma ele, tem seguido rigorosamente as flutuações cambiais, com aumentos mais rápidos que as reduções de preço. Com o dólar flutuando entre R$ 5,50 e R$ 5,65, a tendência é de que haja alguma correção, mas novos aumentos são possíveis.
Impacto no consumidor
Coelho explica que o preço final do botijão de gás é composto por diversos fatores. Até 2019, a Petrobras diferenciava os preços do gás doméstico e do gás para uso não doméstico. Atualmente, o preço é unificado. Um botijão de gás de R$ 100, por exemplo, tem 41% referentes ao custo do gás propriamente dito. Os outros 59% são divididos entre impostos (3%), ICMS (que varia de acordo com o estado, podendo chegar a 22% em São Paulo), e a margem de lucro da distribuidora e do revendedor (40%).
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Reflexões sobre o aumento
O aumento no preço do gás de cozinha impacta diretamente o orçamento doméstico, somando-se aos recentes aumentos de outros produtos da cesta básica. A complexa estrutura de preços, com a significativa participação de impostos e margens de lucro na composição do valor final, deixa claro a necessidade de uma análise mais aprofundada sobre a formação de preços e sua influência no custo de vida da população.