Pelo menos 60 funcionários teriam sido contratados por indicações de vereadores, segundo Operação Sevandija
Em Ribeirão Preto, um esquema de corrupção envolvendo a prefeitura e a empresa Atmosfera, criada em 2005, veio à tona. A Atmosfera, inicialmente planejada como construtora, expandiu suas atividades para diversas áreas, participando de pregões públicos.
Funcionários fantasmas e superfaturamento
A empresa se tornou um cabide de empregos, contratando pessoas com altos salários e baixa qualificação, muitas delas indicadas por vereadores. Conforme conversas telefônicas autorizadas pela Justiça entre o superintendente da ERP, Marco Antônio dos Santos, e o secretário da Educação, Anxelo Inverniz Lopes, fica evidente o esquema de contratação de funcionários sem qualificação, gerando prejuízos aos cofres públicos. A Atmosfera receberia valores exorbitantes para serviços básicos, como uma copeira com salário de R$ 2.800 e uma telefonista com mais de R$ 6.000 mensais, além de um coordenador de projetos com salário de até R$ 9.000. Há indícios de superfaturamento e a investigação apura o prejuízo total.
Falta de transparência e investigação
A falta de transparência por parte da prefeitura e da Coderep dificulta a apuração do número exato de funcionários e a real situação dos contratos. De 2011 a 2014, a Coderep repassou mais de R$ 160 milhões à Atmosfera, que atualmente emprega entre 600 e 700 funcionários. O presidente do sindicato dos servidores, Laerte Carlos Augusto, afirma desconhecer a identidade dessas pessoas. O Ministério Público investiga se houve superfaturamento e qual o prejuízo aos cofres públicos.
Leia também
Desdobramentos e Defesas
O advogado do vereador afastado, Walter Gomes, Julio Moçim, afirma que seu cliente desconhece o conteúdo das conversas e que nunca participou de qualquer esquema de fraude. A investigação segue em curso para esclarecer a extensão do esquema e responsabilizar os envolvidos. A falta de transparência e a complexidade do esquema dificultam a apuração completa dos fatos, mas as investigações prometem trazer à luz a verdade sobre o uso indevido de recursos públicos.



