Ação “Forja de Hefesto” age em cidades de Roraima e Rondônia; investigação aponta negociação de cassiterita extraída ilegalmente
A Polícia Federal deflagrou na manhã desta quarta-feira (22) a Operação Forja de Efesto, que visa desarticular um esquema de financiamento e exploração de garimpo ilegal na Terra Indígena Yanomami. A ação conta com o cumprimento de quatro mandados de prisão e sete de busca e apreensão em Boa Vista (RR), Arequem (RO) e Ribeirão Preto (SP).
Desarticulando o esquema criminoso
As investigações identificaram transações financeiras milionárias relacionadas à venda de casiterita (estanho) extraída ilegalmente da Terra Indígena Yanomami. Em Ribeirão Preto, o alvo principal é uma empresa que, segundo a PF, deliberadamente ou por negligência, não verificava a origem do minério comprado. Em apenas cinco meses de 2021, mais de R$ 166 milhões em casiterita teriam sido adquiridos pela empresa, oriundos de uma mineradora com atuação em Rondônia e filial em Roraima, onde não há garimpos legais.
O impacto global do crime
O minério processado era exportado para grandes multinacionais, incluindo a Big Stacks. Outros suspeitos são responsáveis por maquinários em garimpos ilegais na Terra Indígena Yanomami e pela revenda da casiterita a intermediários que lavam o minério por meio de empresas com lavras irregulares em outros estados. A Justiça determinou a suspensão das atividades da mineradora, que possui mais de 150 processos minerários.
O estanho em nosso cotidiano
A casiterita é a fonte do estanho, metal usado em diversas aplicações, como a produção de ligas metálicas presentes em latas de refrigerante, alimentos, acabamentos de carros, vidros e até telas de celulares. Em Ribeirão Preto, as exportações de estanho entre janeiro e novembro de 2023 superaram US$ 107 milhões, um valor significativo que pode estar relacionado à operação. A Polícia Federal segue investigando e apurando os desdobramentos do caso.



