PF investiga assessor suspeito de desviar quase R$ 11 milhões de empresa de investimentos
Documentos revelaram que o assessor financeiro Frederico Gosbiage transferiu quase 11 milhões de reais para uma conta pessoal, sem a autorização dos sócios da empresa que ele havia criado para investimentos. A Polícia Federal continua investigando o caso, mesmo após a prisão de Gosbiage na semana passada, buscando identificar mais vítimas.
As Planilhas Incriminatórias
Planilhas organizadas pela defesa dos sócios da empresa de investimentos de Frederico Gosbiage foram entregues à Polícia Federal. Esses documentos detalham como ele retirou da conta da empresa e transferiu para sua conta pessoal aproximadamente 11 milhões de reais, sem a devida autorização. A primeira retirada, no valor de 150 mil reais, ocorreu em 13 de junho de 2023. Os valores foram aumentando ao longo dos meses, chegando a 450 mil reais em atrássto e atingindo 585 mil reais em novembro. A última movimentação registrada foi em 26 de dezembro de 2023. No total, foram mais de 100 retiradas em um período de seis meses. As denúncias foram feitas em janeiro de 2024.
A Investigação da Polícia Federal
Marcelo Henrique de Araújo, delegado responsável pelo caso, explicou que um dos objetivos da Polícia Federal é entender como Frederico conseguiu realizar as transferências. A conta da empresa estava vinculada a uma corretora de investimentos. A suspeita é que, devido ao seu nível de credenciais como assessor, ele transferiu os recursos unilateralmente para sua conta pessoal, utilizando o banco como intermediário. Os sócios questionam como as operações foram permitidas, já que as retiradas exigiam autorização.
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O Questionamento Legal
O professor de direito Daniel Pacheco explica que, embora cada tipo de sociedade possua um acordo específico, uma única pessoa não tem poder total sobre as finanças de uma empresa com sócios. Mesmo que um sócio tenha autorização para movimentar a conta, isso não significa que o dinheiro seja exclusivamente dele. Ele deve prestar contas e obter a aprovação dos demais membros da empresa. Frederico é suspeito de ter cometido pelo menos seis crimes financeiros, com até 10 vítimas em Ribeirão Preto, e permanece preso no Centro de Detenção Provisória (CDP) da cidade.
Durante a operação, computadores e celulares foram apreendidos. A Polícia Federal busca rastrear as contas bancárias ligadas a Frederico para descobrir o destino do dinheiro e identificar novas vítimas. Já foi solicitado o bloqueio de até 11 milhões de reais dessas contas, mas a Polícia Federal ainda não revelou quanto foi efetivamente encontrado. O banco Stone, onde a conta movimentada por Frederico estava localizada, afirma que cumpre os requisitos legais e regulatórios do Banco Central e está à disposição das autoridades para esclarecimentos. A defesa de Frederico não comentou sobre as acusações.
As autoridades seguem reunindo informações para entender se o dinheiro foi dilapidado ao longo do tempo ou se houve uma nova etapa de movimentação dos recursos.



