Operação Cadeia Alimentar II foi deflagrada nesta semana e cumpriu 27 mandados de prisão preventiva
A segunda fase da Operação Cadeia Alimentar, deflagrada nesta semana pela Polícia Federal, já conta com cinco confissões de envolvimento em fraudes na merenda escolar. Entre os investigados, está Clare de Souza, braço direito do ex-prefeito de Morro Agudo, Gilberto Barbetti.
Prisões e Investigações
Clare, que já havia passado oito meses presa em 2022 durante a Operação Inésia Parda do Gaeco, foi novamente detida. Suspeita de participar de um esquema que desviou R$ 1 milhão em licitações fraudulentas, ela atrásra colabora com as investigações. A operação investiga uma rede complexa envolvendo ex-prefeitos, ex-secretários, ex-servidores públicos, empresários e lobistas que manipulavam licitações para a compra de merenda escolar, com alguns contratos superando R$ 8 milhões, segundo despacho do juiz federal Augusto Martinez Pérez. A justiça autorizou a quebra de sigilo telefônico dos envolvidos, o bloqueio de bens (cerca de R$ 2 bilhões) e a obtenção de conteúdo armazenado em provedores de internet, justificando a medida como garantia de indenização aos cofres públicos e para evitar a transferência de dinheiro para laranjas. Apesar da prisão temporária, Clare de Souza foi liberada na quarta-feira.
Colaboração e Desvios
Embora não seja oficialmente uma delação premiada, a colaboração de Clare de Souza com a Polícia Federal é significativa. O delegado federal Bruno Higotti confirmou que cinco colaborações estão em andamento, confirmando as fraudes e apontando desvios, com um empresário já tendo confirmado o recebimento de R$ 150 mil em propina. A Polícia Federal ressaltou na coletiva de imprensa o impacto das fraudes na qualidade e quantidade da merenda escolar, muitas vezes a única refeição diária de crianças carentes.
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Histórico de Fraudes
Esta é a segunda grande operação em dois anos voltada à repressão de fraudes na merenda escolar. A operação anterior, “Prato Feito”, investigou fraudes em 30 municípios e apontou prejuízos na qualidade da merenda fornecida aos estudantes da rede pública. O advogado Gian Alvis, que inicialmente marcou entrevista, optou por não se pronunciar após ser desautorizado pela cliente.



