CBN Ribeirão 90,5 FM
CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE

Pilotos de helicóptero que causou incidente com morte na Agrishow vão responder por homicídio culposo

Dupla prestou depoimento no dia do acidente, na quinta-feira (2); eles alegam que foram atrapalhados por outras aeronaves
Pilotos de helicóptero que causou incidente
Dupla prestou depoimento no dia do acidente, na quinta-feira (2); eles alegam que foram atrapalhados por outras aeronaves

Dupla prestou depoimento no dia do acidente, na quinta-feira (2); eles alegam que foram atrapalhados por outras aeronaves

A Polícia Civil anunciou nesta terça-feira que os pilotos do helicóptero envolvido no acidente durante a Agrishow, em Ribeirão Preto, serão investigados por homicídio culposo. A mudança na tipificação ocorre após a morte de Márcio Sabino Silva, de 27 anos, que estava internado desde a quinta-feira e faleceu no hospital, segundo informação oficial.

O caso e o andamento da apuração

O acidente ocorreu quando a estrutura de uma tenda não suportou a aproximação da aeronave e desabou sobre trabalhadores no local do heliponto. Márcio, contratado por uma empresa de distribuição de bebidas para atuar no evento, sofreu traumatismo cranioencefálico grave. Outra trabalhadora, de 25 anos, ficou ferida, mas sem risco de morte.

Inicialmente registrado como lesão corporal, o caso passou a ser investigado por homicídio culposo — quando não há intenção de matar — depois da confirmação do óbito. A perícia no local já foi realizada e um laudo técnico deverá apontar as causas do desabamento e o papel de eventuais falhas na estrutura.

Versões dos envolvidos e evidências

Os dois pilotos prestaram depoimento à polícia na semana seguinte ao incidente. Segundo eles, não havia proibição para o sobrevoo das barracas, a aeronave estaria em baixa velocidade e a aproximação foi dificultada por outras aeronaves que teriam passado à frente e por baixo do helicóptero que pilotavam.

Organizadores do heliponto afirmaram em depoimento que apenas aeronaves de pequeno porte estariam autorizadas a transitar no perímetro e que, em dias anteriores, operações de pouso e decolagem haviam ocorrido sem danos às tendas. A perícia técnica apontou indícios de oxidação em trechos metálicos da tenda, hipótese que poderá implicar responsabilidade de quem mantinha a estrutura.

Consequências legais e responsabilidades

O professor de direito penal consultado pela reportagem explicou que a mudança de tipificação altera a pena prevista: enquanto a lesão corporal culposa tem pena máxima de um ano, o homicídio culposo eleva a pena máxima a três anos — podendo chegar a quatro anos se houver comprovação de desrespeito a normas técnicas da profissão. Do ponto de vista criminal, a responsabilidade recai sobre pessoas físicas, como os pilotos; já a esfera civil pode alcançar empresas e organizadores, dependendo das falhas apuradas.

O irmão da vítima, Marcos Sabino, disse que Márcio era um parceiro dedicado e recebeu apoio da organização do evento e da empresa contratante desde o acidente. O Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (SERIPA) também realizou perícia na pista de pouso e decolagem, e a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) figura nas referências sobre normas técnicas citadas pela organização da Agrishow.

O corpo de Márcio deverá ser liberado pelo Instituto Médico Legal de Ribeirão Preto para sepultamento em sua cidade natal, e as investigações prosseguem para esclarecer se houve negligência, imprudência ou falha estrutural que levaram ao acidente.

Veja também

Conteúdos

Reportar um erro

Comunique à equipe do Portal da CBN Ribeirão Preto, erros de informação, de português ou técnicos encontrados neste texto.