Vítima foi tentar registrar uma microempresa e descobriu ser “sócio administrador” do empreendimento no município de Dobrada
Um pintor de 47 anos, morador do Jardim Zavaglia, descobriu que é sócio-administrador de uma empresa com mais de 2,7 milhões de reais em dívidas junto ao governo do Estado de São Paulo, sem ter conhecimento prévio da situação.
Segundo boletim de ocorrência registrado no plantão policial, o homem relatou que, há cerca de 20 anos, quando ainda era morador de rua, foi abordado por um indivíduo que lhe pediu para abrir uma conta bancária em seu nome, fazer um empréstimo e entregar folhas de cheque em troca de dinheiro. Na ocasião, ele assinou documentos, incluindo uma procuração, sem saber quais direitos estava concedendo e sem manter mais contato com essa pessoa.
A empresa em questão foi criada em 2003 na cidade de Domrada e, em 12 de abril de 2004, o pintor foi incluído como sócio sem seu conhecimento. Menos de três meses depois, o indivíduo que o envolveu no caso saiu do quadro societário, deixando o pintor como único sócio.
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O débito da empresa, que soma aproximadamente 2,79 milhões de reais, refere-se a dívidas de ICMS e está registrado em dívida ativa desde 2010. Além disso, a empresa foi declarada inapta pela Junta Comercial do Estado de São Paulo devido à falta de prestação de contas e inatividade, tendo sido encerrada pelo governo estadual.
O pintor descobriu a situação ao tentar registrar uma microempresa e perceber que já constava como sócio-administrador de outra empresa. A Polícia Civil investiga o caso para esclarecer as circunstâncias e auxiliar na defesa administrativa e criminal do homem.
“É uma situação delicada, porque como se assina um papel, uma promissória, sem saber qual é a finalidade? Faltam detalhes para entender o que realmente aconteceu”, afirmou um dos envolvidos na apuração.
“Os bancos eram muito mais rigorosos na abertura de contas em 2004, não existia conta digital, então há lacunas que a Polícia Civil precisa investigar para montar o caso do ponto de vista criminal”, complementou.
Pontos-chave:
- Pintor descobriu ser sócio de empresa com dívida milionária sem seu conhecimento.
- Empresa criada em 2003, pintor incluído como sócio em 2004 após assinatura de documentos quando era morador de rua.
- Dívida ativa de aproximadamente 2,79 milhões de reais por ICMS desde 2010.
- Empresa declarada inapta e encerrada pelo governo do Estado de São Paulo.
Entenda melhor
O uso de “laranjas” para ocultar a verdadeira propriedade de empresas é uma prática ilegal que pode acarretar sérias consequências para quem, mesmo sem saber, aparece como sócio em registros oficiais. A investigação policial busca esclarecer se houve fraude e auxiliar na defesa do pintor.



