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Plano Brasileiro de Inteligência Artificial buscar transformar país em referência no ramo

Com previsão de um investimento de R$ 23 bilhões em 4 anos, projeto deseja ampliar o uso de IA em serviços como a saúde; entenda
Plano Brasileiro de Inteligência Artificial buscar
Com previsão de um investimento de R$ 23 bilhões em 4 anos, projeto deseja ampliar o uso de IA em serviços como a saúde; entenda

Com previsão de um investimento de R$ 23 bilhões em 4 anos, projeto deseja ampliar o uso de IA em serviços como a saúde; entenda

O Ministério da Ciência, Plano Brasileiro de Inteligência Artificial buscar transformar país em referência no ramo, Tecnologia e Inovação lançou no final de julho o Plano Brasileiro de Inteligência Artificial, que prevê um investimento de 23 bilhões de reais em quatro anos. O objetivo é transformar o Brasil em referência mundial em inovação e eficiência no uso da inteligência artificial (IA). O plano está estruturado em cinco eixos principais: infraestrutura e desenvolvimento de plataformas; difusão e capacitação de recursos humanos; aplicação da IA para melhoria dos serviços públicos; inovação empresarial; e apoio ao processo regulatório e de governança das instituições públicas.

Investimentos e infraestrutura tecnológica: Um dos projetos centrais do plano é a criação de um supercomputador de alta performance, fundamental para o processamento de grandes volumes de dados, como os relacionados à saúde da população brasileira. Esse equipamento permitirá alimentar algoritmos avançados de IA, otimizando análises e decisões em diversos setores. Além disso, o plano destina recursos para ampliar o uso da tecnologia em pequenos negócios, com o intuito de reter talentos qualificados e evitar a fuga destes para o exterior.

Também será criado um fundo de investimento para startups de inteligência artificial, fomentando o desenvolvimento de soluções inovadoras no país. O resultado esperado é o desenvolvimento de tecnologias que aumentem a competitividade das empresas e melhorem a gestão pública, impactando positivamente a qualidade de vida da população.

Fontes de financiamento e participação do setor privado

Os recursos do plano virão de diversas fontes, entre elas o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), vinculada ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação. Contudo, destaca-se a importância da participação do setor privado, que em países líderes no desenvolvimento tecnológico, como Estados Unidos, Europa e Ásia, é responsável pela maior parte dos investimentos em IA.

Um exemplo da atuação conjunta entre setor público e privado é a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), que promoveu um summit de inteligência artificial com premiação para empresas e startups que se destacam na área. Entre as startups premiadas está a Autox, que desenvolveu uma plataforma de IA aplicada à análise toxicológica de medicamentos, cosméticos e produtos agroquímicos. Em 2016, com apoio da Fiesp e da Vale, a empresa lançou um software chamado Gradation Plot, que utiliza IA para prever a degradação de medicamentos em segundos, processo que antes demandava meses de pesquisa.

Aplicações da inteligência artificial na saúde: A inteligência artificial tem potencial para revolucionar o setor de saúde, conforme apontam estudos internacionais. Uma pesquisa da empresa de auditoria HPMG entrevistou diretores de operadoras de saúde, grupos hospitalares e redes de laboratórios, que indicaram a IA e o machine learning como tecnologias com maior potencial de transformação para os próximos anos. Cerca de 27% dos entrevistados afirmaram que a IA revolucionará a saúde.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) também destaca aplicações inovadoras da IA, como diagnósticos médicos auxiliados por bancos de dados de imagens médicas, predição para desenvolvimento de novos medicamentos, análise de grandes volumes de dados para identificação de doenças e apoio à definição de políticas públicas. A IA pode ainda ser usada para monitoramento remoto de pacientes, acionando médicos em casos de alterações clínicas, e para o processamento natural de linguagem, auxiliando na identificação de riscos à saúde mental.

Um artigo publicado em atrássto no Journal of Multidisciplinary Healthcare revisou a literatura científica sobre IA na saúde e ressaltou que a tecnologia não substituirá os profissionais, mas aumentará a precisão e eficiência dos diagnósticos, identificando padrões que o olho humano pode não perceber. Isso possibilita diagnósticos precoces e tratamentos mais eficazes, reduzindo custos ao evitar exames invasivos e repetitivos.

Além disso, a IA pode melhorar a gestão hospitalar, identificando gargalos e desperdícios em clínicas e planos de saúde, otimizando recursos e processos administrativos.

Desafios para a implementação da inteligência artificial

Apesar das promessas, existem desafios significativos para a adoção da IA, especialmente na saúde. Um deles é garantir a confiabilidade e consistência dos resultados, evitando erros que podem ter consequências graves. Casos de falhas em IA, como a geração de imagens incorretas, geram preocupação quanto à precisão dos dados processados.

A privacidade e segurança dos dados dos pacientes são questões cruciais, já que informações sensíveis exigem rigoroso sigilo, semelhante ao que ocorre com dados bancários. Também há desafios éticos, pois algoritmos podem refletir preconceitos presentes nos dados de treinamento, violando princípios de igualdade e direitos humanos.

Para superar esses obstáculos, é necessário avançar nas pesquisas e promover discussões envolvendo profissionais de tecnologia, saúde, legisladores e pacientes, garantindo que o desenvolvimento da IA seja seguro, ético e benéfico para a sociedade.

“Esperamos que os resultados desse plano otimizem bastante a vida das pessoas e facilitem o acesso aos serviços públicos e privados”, afirmou o professor Láuro Wichtert-ana, da Faculdade de Medicina da USP e diretor técnico do Supera Parque.

Entenda melhor
  • O Plano Brasileiro de Inteligência Artificial tem investimento previsto de 23 bilhões de reais em quatro anos.
  • O plano inclui a criação de um supercomputador para processamento de grandes volumes de dados.
  • Setores como saúde, inovação empresarial e serviços públicos serão beneficiados pela IA.
  • Desafios incluem garantir a confiabilidade dos resultados, proteger a privacidade dos dados e enfrentar questões éticas.

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