Ouça o primeiro bloco do programa deste sábado (25)
O programa Almanac da CBN discutiu os impactos do avanço tecnológico e das redes sociais na sociedade, em 25 de março de 2017. A conversa contou com a participação do escritor e analista de redes sociais Gilberto Musto e o professor de Neuromarketing Elder Carvalho.
Dependência Tecnológica e Informação Imediata
O debate abordou a dependência crescente da população por aparatos tecnológicos e a busca por informação imediata. As redes sociais, com sua velocidade de disseminação, amplificam piadas, notícias bombásticas e informações nem sempre verdadeiras, exigindo atenção e cuidado dos usuários.
Desinformação e o “Ouvido 2.0”
Gilberto Musto destacou a necessidade do “ouvido 2.0”, alertando para a importância da checagem de fontes e da análise crítica do conteúdo antes de compartilhar informações nas redes sociais. A facilidade de criação de notícias falsas, inclusive com logotipos de veículos de comunicação, torna a verificação crucial. Erros gramaticais e de concordância, por exemplo, podem indicar a falsidade de uma notícia.
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Gestão de Crise e a “Cauda Longa”
A discussão incluiu a gestão de crises na era digital. Gilberto Musto explicou o conceito de “cauda longa”, onde uma notícia falsa tem grande impacto inicial, mas sua disseminação diminui com o tempo. Combater a desinformação requer um esforço significativo, especialmente com a existência de empresas especializadas em difundir notícias inverídicas, como as que utilizam “mercadores de versões” para manipular a opinião pública. O caso da Operação Carne Fraca foi usado como exemplo de como uma nova crise pode ofuscar outra, substituindo o assunto em discussão.
O professor Elder Carvalho explicou que a forma como as notícias são divulgadas nas redes sociais afeta o cérebro humano, atingindo as áreas mais primitivas (reptiliana e límbica) antes do neocórtex pré-frontal, que é responsável pelo raciocínio. Notícias negativas geram maior repercussão por atingirem essas áreas mais primitivas. O viés da normalidade também foi abordado: notícias fora do padrão geram mais impacto, e a busca por vingança, em vez de justiça, contribui para a rápida disseminação de informações. A intolerância nas redes sociais, com a facilidade de bloquear usuários, intensifica esse fenômeno. A falta de tempo para ler e analisar profundamente as informações contribui para a propagação de notícias falsas. A conclusão é que a velocidade da informação nas redes sociais potencializa e viraliza crises de reputação, exigindo estratégias de contra-ofensiva das empresas envolvidas.



