A especialidade que trabalha os músculos do assoalho pélvico é indicada para as mães que querem se preparar para um parto normal
A fisioterapia pélvica, tema do programa Pode Falar, Mãe, ganhou destaque com a participação do fisioterapeuta André Vasconcelos Gonçalves, especialista em saúde da mulher e doutor pela Unicamp. A conversa abordou a importância do fortalecimento da musculatura do assoalho pélvico, essencial para a saúde feminina em diferentes etapas da vida, especialmente durante a gravidez e o pós-parto.
O que é o assoalho pélvico e sua importância?
O assoalho pélvico é composto por diversos músculos, sendo o elevador do ânus o principal. Sua função é crucial para a continência urinária e fecal, além de auxiliar na função sexual e no processo de parto. A fisioterapia pélvica visa fortalecer e tonificar esses músculos, melhorando o controle dessas funções.
Benefícios da fisioterapia pélvica durante a gravidez e pós-parto
A fisioterapia pélvica na gestação prepara a musculatura para o parto, reduzindo o risco de lacerações graves (cortes no períneo durante o parto normal) e episiotomia (corte cirúrgico no períneo). Depoimentos de mães que utilizaram a técnica reforçaram a eficácia na prevenção de lacerações e na recuperação pós-parto. André explica que a laceração é multifatorial, dependendo do peso do bebê, uso de oxitocina, posição da mãe durante o parto e fatores genéticos. A episiotomia, apesar de ainda ser utilizada por alguns profissionais, é considerada uma laceração de grau 2 e aumenta o risco de lacerações mais graves (graus 3 e 4), que podem levar a incontinência urinária e fecal, disfunções sexuais e prolapso de órgãos pélvicos. A fisioterapia pélvica ajuda a prevenir essas complicações e melhora a recuperação pós-parto, reduzindo dor, sangramento e edema. No pós-parto, a fisioterapia auxilia no controle da dor, na recuperação da musculatura e na prevenção de incontinência urinária. Mesmo quem não fez a fisioterapia na gravidez pode se beneficiar no pós-parto.
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Exercícios e tratamento
Os exercícios para o assoalho pélvico são diferentes dos exercícios convencionais, pois envolvem músculos que não atravessam articulações móveis. A avaliação fisioterapêutica é fundamental para determinar o programa de exercícios individualizado, que pode incluir o uso de recursos como coxinete e bola de pilates. O uso do Epinol, um aparelho que simula a passagem da cabeça do bebê, pode auxiliar no treinamento muscular, mas somente após um trabalho prévio de fortalecimento e alongamento com um profissional. É importante ressaltar que a automedicação e a busca por informações na internet podem ser prejudiciais. A fisioterapia pélvica é um tratamento individualizado, profundo e delicado, que requer a avaliação de um profissional qualificado.
Apesar de ser um tratamento muitas vezes acessível apenas para as classes mais privilegiadas, a fisioterapia pélvica é uma importante ferramenta para a saúde feminina, especialmente durante a gravidez e o pós-parto. A busca por informação e a consulta com um profissional especializado são essenciais para garantir uma gestação e um pós-parto mais saudáveis.



