Cirurgiã-dentista e odontopediatra Karina Zecchin explica como é feito o diagnóstico e em que casos são indicados cirurgias
Pode falar, mãe. A apresentação. Larissa Castro. Foi pessoal, mas não pode falar, mãe, começando e hoje eu trago um assunto que parece um detalhe, mas que pega muitas famílias de surpresa e deixa uma dúvida da nada. Vamos falar sobre o freio da língua do bebê.
Língua presa: um desafio na amamentação
É a popular língua presa, ou anquiloglossia. Muitas vezes associada à dificuldade de pronúncia em crianças maiores, em bebês, a língua presa pode causar sérios problemas na amamentação. A amamentação é um processo complexo que requer a coordenação de diversos músculos, e um freio lingual curto pode dificultar a pega correta e a sucção eficaz, levando a frustração para a mãe e o bebê.
O relato de Vanessa e a experiência com sua filha Isabela
Vanessa, mãe da Isabela, compartilhou sua experiência. Isabela, desde o nascimento, foi diagnosticada com encurtamento do freio lingual. Apesar de procedimentos cirúrgicos (pikes) para liberar o freio, a amamentação continuou sendo um desafio. Isabela chorava constantemente, não ganhava peso adequadamente e necessitou de complementação com fórmula. Mesmo após múltiplas intervenções, Isabela ainda apresenta restrições no movimento da língua.
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Diagnóstico e tratamento: uma abordagem multidisciplinar
A Dra. Karina Zekin, cirurgiã dentista, odontopediatra e patologista, explicou que o diagnóstico da anquiloglossia envolve a avaliação da forma e da função da língua. A cirurgia é apenas uma das ferramentas no tratamento, sendo fundamental o acompanhamento de fonoaudióloga para garantir a correta movimentação da língua após a intervenção. A Dra. Karina destaca a importância de uma equipe multidisciplinar, incluindo fonoaudiólogo, pediatra, otorrinolaringologista e, em alguns casos, osteopata, para um tratamento completo e eficaz. A formação de fibrose após a cirurgia é um risco, e a orientação adequada da mãe sobre o pós-operatório é crucial para evitar complicações. Nem sempre a cirurgia é necessária; em alguns casos, a intervenção cirúrgica pode ser desnecessária, dependendo da avaliação da função da língua. A decisão de operar deve ser ponderada, levando em consideração a idade, o peso e o estado de saúde do bebê, além do impacto na função. O procedimento cirúrgico, embora simples, requer anestesia e pode causar sangramento. O pós-operatório envolve a estimulação da amamentação para auxiliar na mobilidade da língua. A experiência de Vanessa com sua filha Isabela ilustra os desafios e a importância do acompanhamento profissional adequado.
A história de Vanessa e Isabela, assim como as explicações da Dra. Karina, destacam a importância de um diagnóstico preciso e de uma abordagem multidisciplinar para o tratamento da língua presa em bebês. A busca por informação e o acesso a profissionais especializados são fundamentais para garantir o sucesso da amamentação e o desenvolvimento saudável da criança.



