Doutora Helaine Milanez fala das preocupações e o que permitiu as mulheres a conseguirem se tornar mães mesmo com idade avançada
Gravidez tardia: um assunto que gera dúvidas e preocupações. Apesar de cada vez mais comum, a gravidez após os 40 anos ainda carrega muitos tabus. Neste artigo, vamos esclarecer alguns pontos importantes sobre o tema, com a ajuda da Dra. Eleni Milanês, professora da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, e da André Anastácio, mãe de 40 anos que vivenciou uma gravidez tardia.
Riscos da gravidez tardia
A partir dos 40 anos, os riscos maternos e fetais aumentam significativamente. A chance de desenvolver diabetes gestacional e hipertensão (pré-eclâmpsia) aumenta em até cinco vezes em comparação com mulheres que engravidam antes dos 35 anos. A pré-eclâmpsia, uma disfunção da placenta que causa vasoespasmo e hipertensão, é uma doença sistêmica grave e a principal causa de morte materna em muitos lugares. Para o bebê, o risco de problemas cromossômicos, como a síndrome de Down, também é maior. A partir dos 35 anos, há também uma queda progressiva na fertilidade.
Cuidados e acompanhamento pré-natal
Mulheres com gravidez tardia necessitam de um pré-natal mais rigoroso, com exames mais detalhados para monitorar a saúde materna e fetal. O uso de medicamentos como aspirina e carbonato de cálcio pode ser recomendado para reduzir o risco de pré-eclâmpsia. O acompanhamento do diabetes gestacional também é crucial, com exames como a curva glicêmica e recomendações de dieta e atividade física. A ultrassonografia obstétrica desempenha papel fundamental na detecção precoce de anomalias fetais e alterações no desenvolvimento do bebê.
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Congelamento de óvulos e planejamento familiar
O congelamento de óvulos é uma opção para mulheres que desejam adiar a gravidez, preservando a fertilidade e reduzindo o risco de alterações cromossômicas. Embora seja uma técnica eficaz, não garante o sucesso da gravidez e apresenta riscos, como a síndrome de hiperestimulação ovariana. É importante que as mulheres estejam cientes dos custos e das chances de sucesso do procedimento. A decisão de engravidar em idade mais avançada envolve um planejamento cuidadoso, considerando os riscos e benefícios, e a pressão social para ter filhos deve ser considerada.
A experiência de André Anastácio demonstra que, com acompanhamento médico adequado e planejamento, é possível vivenciar uma gravidez tardia com sucesso, apesar dos desafios e riscos envolvidos. A idade ideal para engravidar é um assunto complexo, mas a faixa entre 25 e 35 anos é geralmente considerada a mais propícia. No entanto, com cuidados e acompanhamento médico, mulheres em idades mais avançadas também podem ter gestações saudáveis.



