Larissa Castro fala com Andrea Fraga, docente da Unicamp no departamento de pediatria, sobre essa situação que assusta as mães
Neste artigo, abordaremos as crises de perda de fôlego em crianças, também conhecidas como crises não epilépticas fisiológicas. Conversamos com a Dra. Andrea Fraga, professora da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, para entender melhor esse fenômeno.
O que são crises de perda de fôlego?
As crises de perda de fôlego não são convulsões ou epilepsia. São eventos benignos, geralmente relacionados ao amadurecimento infantil, onde a criança, em momentos de choro intenso ou riso exagerado, prende a respiração, levando a uma diminuição do oxigênio no cérebro (hipoxia) e, consequentemente, à perda de consciência (desmaio). É importante destacar que, na maioria dos casos, a criança recupera a consciência rapidamente e sem sequelas.
Identificando e lidando com as crises
A crise geralmente é precedida por choro intenso, desencadeado por estresse, contrariedade ou dor leve. A criança pode ficar cianótica (roxinha) antes de perder a consciência. A duração da crise é curta, de 10 segundos a um minuto. Se a crise durar mais, procure ajuda médica imediatamente. Ao presenciar uma crise, mantenha a calma. Não chacoalhe a criança; deixe-a na posição em que está ou, se preferir, segure-a no colo, mantendo a cabeça levemente elevada para facilitar a respiração. Após a crise, a criança volta ao normal, sem sonolência ou outros distúrbios. A primeira crise costuma ser um grande susto, mas os pais podem aprender a identificar os sinais precursores e tentar distrair a criança para evitar a crise.
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Embora a maioria das crises não exija atendimento de emergência, é recomendável uma consulta médica, especialmente após o primeiro episódio, para descartar outras condições e tranquilizar os pais. A Dra. Fraga ressalta a importância do acolhimento da criança e da construção de uma rede de apoio familiar e escolar para lidar com a situação. A hereditariedade pode estar envolvida, e a suplementação de ferro pode ajudar a reduzir a frequência das crises. A maioria das crianças supera esse quadro até os quatro anos de idade.



