Ouça a reportagem da CBN Ribeirão com Rodrigo Prioli
O biólogo e professor da USP de Ribeirão Preto, Milton Grupo, sobrevoou áreas atingidas por incêndios na região, avaliando os danos como incalculáveis em diversos pontos. A primeira área analisada foi a da USP, onde as perdas se concentraram em áreas de conservação e pesquisa científica.
Impacto no Reflorestamento da USP
O sobrevoo revelou um cenário preocupante no Reflorestamento da USP, especialmente na área do Banco Genético. Essa área, que abriga matrizes de sementes cruciais para a recomposição de outras áreas, já havia sofrido uma queimada significativa um mês antes. A situação é considerada grave devido à importância do Banco Genético para a recuperação ambiental.
Devastação na Mata de Santa Teresa
Na Mata de Santa Teresa, na zona sul de Ribeirão Preto, a situação é alarmante. A Fundação Florestal reportou que 46% da área foi destruída pelo incêndio iniciado em 31 de atrássto. Durante o sobrevoo, ainda era possível observar focos de fumaça. Milton Grupo expressou preocupação, indicando que a destruição pode ser ainda maior do que a divulgada inicialmente. Segundo ele, as imagens aéreas sugerem que a área queimada ultrapassa um terço da reserva, contrariando as estimativas iniciais. A persistência de brasas nos troncos aumenta o risco de novos focos de incêndio, especialmente em áreas secas.
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Efeitos na Fauna e Flora
Além dos prejuízos à flora, a fauna local também foi severamente afetada. A destruição em larga escala priva os animais de refúgio, dificultando sua sobrevivência. A situação é agravada pela intensa ocupação do entorno, que limita as opções de deslocamento da fauna. Animais terrestres, como tatus, enfrentam ainda mais dificuldades para escapar das áreas atingidas.
Queimadas em Jardinópolis e a Cana-de-Açúcar
Em Jardinópolis, as queimadas consumiram principalmente plantações de cana-de-açúcar. A combinação de cana cortada, palha seca no chão, seca e calor intenso cria um ambiente propício para incêndios. Uma simples faísca pode se alastrar rapidamente, especialmente se atingir áreas de mata seca. A recuperação ambiental na região será um desafio complexo, dada a extensão dos danos e a escassez de chuvas.
Diante desse quadro, a recuperação ambiental da região se apresenta como um desafio complexo, agravado pela escassez de chuvas e pela vulnerabilidade dos ecossistemas locais. Ações de fiscalização e prevenção são cruciais para mitigar os riscos e promover a restauração das áreas afetadas.



