A Polícia Civil analisa novas imagens de câmeras de segurança que podem esclarecer as circunstâncias do atropelamento que matou Guilherme da Silva Maia, de 6 anos, e deixou a mãe dele, Eliene Santa Maria, de 33 anos, gravemente ferida, em Bonfim Paulista, distrito de Ribeirão Preto. O caso ocorreu no dia 1º de janeiro e segue sob investigação.
As imagens reforçam dúvidas sobre a versão apresentada pelo motorista, Gustavo Perissoto de Oliveira, de 25 anos, apontado como o responsável pelo atropelamento. Ele responde em liberdade por homicídio culposo, quando não há intenção de matar.
Caminho da fuga
De acordo com a Polícia Civil, o motorista teria evitado as principais avenidas do distrito logo após o atropelamento. Câmeras de segurança mostram o veículo passando por uma rotatória de acesso a Bonfim Paulista e, em seguida, pela rua Sete de Setembro, via paralela à rodovia José Fregonezi.
Um dos pontos centrais da apuração é a presença de um carro prata que teria seguido exatamente o mesmo trajeto do suspeito por ruas internas do bairro. A polícia tenta identificar quem dirigia esse segundo veículo e se havia algum tipo de acompanhamento ou apoio durante a fuga.
Versões divergentes
Em depoimento, Gustavo Perissoto afirmou que não ingeriu bebida alcoólica e que o atropelamento ocorreu por distração ao manusear a central multimídia de um carro alugado, com o qual não teria familiaridade.
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No entanto, testemunhas ouvidas pela polícia contestam essa versão. Frentistas de um posto de combustíveis em frente ao local do acidente relataram que tentaram alertar o motorista logo após o impacto, mas ele seguiu viagem, mesmo trafegando em baixa velocidade.
Testemunhos
Paulo Sérgio Perez afirmou que gritou e gesticulou pedindo para que o motorista parasse, sem sucesso. Já Marcelo Henrique dos Santos declarou que qualquer condutor atento ao retrovisor teria condições de perceber a criança caída e as pessoas tentando chamar atenção.
A reportagem da CBN tentou contato com o motorista, mas não houve novo posicionamento além das declarações já prestadas por meio do advogado de defesa.
Dor da família
O pai da criança, Albertino da Silva Filho, relatou que a família havia se mudado de São Paulo para a região de Ribeirão Preto há cerca de um ano, em busca de mais segurança e qualidade de vida. Segundo ele, a tragédia interrompeu completamente esse projeto.
Em entrevista, Albertino desabafou sobre a dor da perda e a indignação por saber que o motorista responde em liberdade. Ele também afirmou que não houve qualquer contato ou pedido de ajuda por parte do suspeito após o atropelamento.
Estado de saúde
Eliene Santa Maria segue internada no Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto. Ela já passou por duas cirurgias e tem novos procedimentos previstos para tratar fraturas no tornozelo e na bacia.
Segundo o marido, a vítima utiliza um fixador externo que deve permanecer por até oito semanas. A família acompanha o tratamento enquanto tenta lidar com o luto e as consequências do acidente.
Investigação
O caso gerou comoção e manifestações em Bonfim Paulista, com moradores cobrando uma resposta mais rigorosa das autoridades. A Polícia Civil informou que o inquérito continua em andamento para esclarecer todas as circunstâncias do atropelamento e avaliar se houve dolo na conduta do motorista.



