Atendimentos pelos falsos profissionais aconteceram entre julho e dezembro de 2014, em duas unidades de saúde
Uma força-tarefa composta por delegacias de Mayrink, Sorocaba e Franca investiga a atuação de falsos médicos que trabalharam no Hospital Álvaro Azuz e no pronto-socorro infantil de Franca entre julho e dezembro do ano passado. A investigação busca apurar a conduta dos indivíduos e responsabilizá-los pelos crimes cometidos.
Investigação Concentrada em Franca
Segundo Luciano Henrique Cintra, delegado assistente da Seccional de Franca, a investigação dos casos ocorridos na cidade será conduzida localmente. “Fizemos uma visita até às delegadas que estão à frente das investigações em Mayrink, e nós aceitamos que com relação aos fatos que ocorreram, foram consumados aqui na cidade de Franca, a investigação será remitida para cá”, explicou Cintra. As investigações em Mayrink continuarão focadas na empresa Inova e nos médicos a ela vinculados.
Foco na ICV e nos Crimes Cometidos
A delegacia de Franca concentrará seus esforços nos falsos médicos ligados à empresa ICV, responsáveis por atuar ilegalmente na cidade. “Eles têm que responder aqui em Franca pelo crime que eles cometeram, que eles lesaram o patrimônio público, que eles ouviram e pecularam, eles receberam um dinheiro indevido da prefeitura, eles puseram as pessoas aqui da cidade a risco, eles não têm habilitação, eles atuaram ilicitamente sem ter o CRM”, declarou o delegado.
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Apuração Paralela e Depoimentos
Paralelamente à investigação policial, a Comissão Especial de Inquérito (CEI) da Câmara de Franca ouve médicos que atuaram nas unidades de saúde da cidade. O objetivo é entender como os falsários operavam. José Eurip de Jep Pereira, membro da CEI, acompanhou o depoimento de um profissional e afirmou que foram esclarecidas dúvidas sobre o funcionamento dos plantões, os pagamentos e o envolvimento de outros médicos.
O diretor do Instituto Ciência e Vida (ICV), João da Rocha, cancelou sua participação na CEI de última hora. Em depoimento à delegada Fernanda Ueda em Mayrink, o falso médico Pablo Mussolim alegou que o ICV tinha conhecimento das irregularidades e pagava valores inferiores aos profissionais com CRM. A prefeitura de Franca optou por não renovar o contrato com o ICV após as denúncias.
Novas Contratações e Atendimento à População
A secretária de saúde, Rosane Moscardini, informou que estão sendo definidas as regras para a contratação de uma nova empresa. “Para que a gente veja uma outra empresa, uma outra forma para contratação, para prestar assistência à população, com cuidado que a gente tem que ter de não causar desassistência à população e que necessita desse serviço considerando que é um serviço de urgência e emergência”, disse Moscardini.
Durante o período em que atuaram nas unidades de saúde, os falsos médicos atenderam e medicaram mais de 6.300 pessoas. As investigações não apontaram problemas decorrentes de suas condutas. Dos profissionais sem CRM, apenas Pablo Mussolini permanece preso. Bertino Rumarco da Costa responderá ao processo em liberdade.
Além de Franca, outros quatro municípios do estado investigam problemas com o ICV. As autoridades seguem apurando o paradeiro dos falsos profissionais.
O caso segue em investigação, com o objetivo de responsabilizar os envolvidos e garantir a segurança da população.



