Grupo fazia lançamentos de consultas e cirurgias e recebiam pelos serviços que não eram executados; R$ 275 mil foram bloqueados
A Polícia Civil deflagrou a segunda fase da Operação Cis Valegrã nesta quarta-feira, cumprindo nove mandados de busca e apreensão em cidades de Minas Gerais e São Paulo. A operação investiga desvios de verbas na área da saúde, lavagem de dinheiro, tráfico de influência, falsificação de documentos públicos, peculato e associação criminosa.
Desvios na Saúde
As investigações apontam para desvios de recursos públicos do Cis Valegrã, um consórcio de saúde de Minas Gerais. Cirurgias registradas como realizadas no Hospital Universitário de Uberaba, mas possivelmente não executadas ou realizadas de forma diferente do registrado, resultaram em pagamentos para uma clínica oftalmológica em Ribeirão Preto. Dois médicos de Uberaba e dois de Ribeirão Preto são suspeitos de se beneficiarem do esquema.
Ações da Justiça
Em julho, a Justiça já havia bloqueado R$ 275 mil dos investigados. Nesta segunda fase, além dos mandados de busca e apreensão, foram autorizados o afastamento dos sigilos bancários e fiscais, e o bloqueio de mais R$ 675 mil. Documentos e computadores foram apreendidos para auxiliar nas investigações.
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Posicionamentos
O Cis Valegrã, por meio de nota, afirmou não ter contrato com a clínica de Ribeirão Preto, apenas com o Hospital Universitário de Uberaba. A instituição alegou surpresa com as investigações e informou que pacientes são encaminhados apenas para o hospital universitário, único estabelecimento previsto em contrato. A Universidade de Uberaba declarou ter identificado a possível irregularidade e encaminhado a denúncia ao Ministério Público de Minas Gerais. Os nomes dos investigados não foram divulgados.
O caso envolvendo suspeitas de desvio de verbas públicas em área tão sensível como a saúde, e que pode ter afetado pacientes necessitados, gera grande preocupação e exige total esclarecimento. Acompanharemos os desdobramentos das investigações.



