A Polícia Civil concluiu o inquérito que apurou o desaparecimento de 22 mil sacas de café da COCAPIL, Cooperativa dos Cafeicultores e Agropecuaristas de Ibiraci. A investigação atribui ao empresário Elvis Vilena Faleiros, de Franca, então presidente da cooperativa, a prática dos crimes de apropriação indébita e gestão temerária de cooperativa.
Segundo o delegado responsável pelo caso, Stevan Ferreira, a conclusão do inquérito indica que o café armazenado pelos produtores foi utilizado de forma não autorizada, apesar de a cooperativa atuar como depositária dos grãos. As apurações também apontam decisões administrativas que colocaram em risco as finanças da entidade.
Investigação
O desaparecimento das sacas começou a ser descoberto em agosto do ano passado, quando produtores rurais procuraram a cooperativa para retirar o café armazenado e constataram que os grãos não estavam mais nos galpões. A partir disso, dezenas de cafeicultores passaram a registrar boletins de ocorrência.
Até o momento, pelo menos 30 produtores formalizaram denúncias contra o empresário. As vítimas são, em sua maioria, de Franca, Cristais Paulista, Ibiraci, além de municípios do Sul de Minas Gerais, como Cássia, Capetinga, Claraval e São Sebastião do Paraíso.
Prejuízo
Um dos produtores ouvidos pela reportagem relatou ter perdido cerca de 260 sacas de café, o equivalente a um prejuízo aproximado de R$ 1,2 milhão. Ele afirmou que toda a produção foi depositada na cooperativa após anos de investimento e enfrentamento de adversidades climáticas.
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Outro cafeicultor disse que utilizava os serviços da COCAPIL havia cerca de 15 anos e nunca tinha enfrentado problemas. Segundo ele, só tomou conhecimento da situação quando tentou receber valores e retirar o café armazenado, sendo informado posteriormente de que os grãos teriam sido vendidos sem autorização.
Ressarcimento
O advogado da cooperativa, Márcio Cunha, informou que o empresário ainda não se apresentou formalmente porque estaria buscando meios particulares para quitar os débitos. Segundo a defesa, cerca de 170 pessoas, entre cooperados e produtores, devem ser ressarcidas.
Ainda de acordo com o advogado, a cooperativa segue formalmente em funcionamento, mas deve ser extinta após a venda de prédios e barracões. Os imóveis, localizados inclusive em uma fazenda no município de Claraval, já estariam em negociação e foram avaliados como suficientes para cobrir os prejuízos.
Assembleia
Uma nova assembleia está marcada para o dia 24 de janeiro, quando deve ser definido o modelo de pagamento aos produtores prejudicados. A proposta prevê prioridade para aqueles com menor quantidade de sacas e pagamento escalonado para os casos de maiores volumes.
O inquérito foi encaminhado à Justiça e ao Ministério Público. Enquanto aguardam os desdobramentos judiciais, produtores e cooperados seguem na expectativa de recuperação dos valores perdidos.



