Ouça a reportagem da CBN Ribeirão com Rodrigo Prioli
A Polícia Civil identificou seis dos 22 indivíduos detidos durante a Operação Lavou a Limpa, que abrangeu as regiões de Franca, Ribeirão Preto e Araxá (Minas Gerais), como líderes de uma quadrilha especializada na falsificação e comercialização de defensivos agrícolas. Um dos principais suspeitos, Eleezer Reis da Silva, de 42 anos, foi transferido da cadeia de Franca para prestar depoimento no terceiro distrito policial da cidade, juntamente com outros membros da organização.
Silêncio dos Investigados
O promotor de justiça Paulo Randuz Jr. informou que os envolvidos optaram por permanecer em silêncio durante os interrogatórios. Essa postura foi adotada por todos os investigados ouvidos tanto pelo Ministério Público quanto pela Polícia Civil. A expectativa é que essa seja a estratégia dos demais suspeitos, o que levará à conclusão das oitivas e ao oferecimento da denúncia contra todos os integrantes da organização.
Desmantelamento da Quadrilha e Apreensões
A operação, deflagrada na última sexta-feira, resultou no desmantelamento de uma das maiores quadrilhas de falsificação e comercialização de agrotóxicos do país. Em um galpão no Jardim Tropical, em Franca, foram encontrados milhares de galões vazios e rótulos falsificados. Investigações anteriores, em outubro, já haviam levado ao fechamento de dois laboratórios de falsificação e dois barracões utilizados na linha de produção. Desta vez, foi descoberto mais um laboratório e seis locais de custódia dos produtos, onde se realizavam outras etapas da falsificação.
Leia também
Bens Apreendidos e Próximos Passos
A polícia apreendeu cinco armas, munições e mais de 60 veículos, incluindo carretas, caminhonetes, motos e até uma lancha. O Ministério Público estima que os bens e veículos apreendidos, avaliados em cerca de 20 milhões de reais, podem ser provenientes de lavagem de dinheiro. A operação resultou na prisão de 24 pessoas, sendo que duas foram posteriormente liberadas. As investigações, que duraram 10 meses, revelaram que os criminosos produziam agrotóxicos, rótulos e embalagens idênticas às originais, vendidas a agricultores de oito estados do país. O principal laboratório da quadrilha, responsável por todo o processo, funcionava em uma chácara em Cristais Paulista.
Prisão Temporária e Desdobramentos Legais
Nove suspeitos já foram ouvidos pela polícia na sexta-feira, e mais sete depoimentos estão previstos para ocorrer em Batatais, onde o restante do grupo está detido. O prazo da prisão temporária de todos os envolvidos vence hoje. O delegado Leopoldo Novas espera que o prazo seja prorrogado para, posteriormente, solicitar a prisão preventiva dos envolvidos. Sete pessoas não foram localizadas e são consideradas foragidas da justiça. O advogado regional do Carvalho, que defende Eleezer Reis da Silva e mais 12 suspeitos, informou que entrará com pedido de habeas corpus caso a prisão temporária seja decretada. Os 22 suspeitos presos e os outros 7 foragidos responderão por organização criminosa, falsificação e adulteração de agrotóxicos, falsificação de documentos, crimes contra a relação de consumo e lavagem de dinheiro.
As ações coordenadas pelas autoridades revelaram um esquema complexo e de grande escala, com ramificações em diversos estados brasileiros. O caso segue em investigação, com o objetivo de identificar todos os envolvidos e responsabilizá-los pelos crimes cometidos.



