Polícia diz não pretender indiciar familiares de idosos que estavam em casas de repouso clandestinas
A Polícia Civil de Ribeirão Preto informou que, embora as investigações sobre as clínicas clandestinas de idosos continuem, não pretende indiciar os familiares dos internos. A proprietária das casas de repouso permanece presa.
O Andamento das Investigações
O inquérito policial está na reta final e deve ser encaminhado ao Ministério Público na próxima semana. A investigação apura denúncias de maus tratos e condições precárias nas três casas de repouso mantidas por Eva Maria de Lima, de 40 anos. As clínicas foram interditadas em abril, após ação conjunta do Ministério Público, Vigilância Sanitária, Secretaria de Assistência Social e Saúde, e Polícia Civil.
Dificuldades na Coleta de Provas
O delegado Udo Cháudio, responsável pelas investigações, explicou que a coleta de laudos médicos e o depoimento dos idosos têm sido desafiadores, devido às comorbidades e dificuldades de locomoção dos internos. A polícia está providenciando exames de corpo de delito indiretos para superar esses obstáculos. As casas de repouso operavam em bairros distintos da cidade, e durante a prisão de Eva, idosos também foram encontrados em uma residência no Parque Ribeirão. Ao todo, 36 pacientes foram resgatados.
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A Surpresa dos Familiares e o Alerta às Clínicas
O delegado relatou que muitos familiares demonstraram surpresa ao saber das condições negligentes em que seus parentes idosos eram mantidos, acreditando que estavam entregando-os a bons cuidados. No entanto, ele alertou que, caso seja comprovado que algum familiar tinha ciência das condições e não agiu, poderá ser indiciado. O Ministério Público revelou que as mensalidades cobradas por Eva chegavam a R$ 2.500, e muitas famílias utilizavam o Benefício de Prestação Continuada (BPC) para custear a estadia dos idosos. A proprietária prometia refeições balanceadas e equipes de enfermeiros, fisioterapeutas e nutricionistas, o que não era cumprido. O delegado ainda fez um alerta para outras casas de repouso que negligenciam os cuidados com os idosos, lembrando que a pena para esse tipo de crime foi aumentada e pode levar à prisão.
O caso serve como um alerta sobre a importância da fiscalização e do cuidado com os idosos em casas de repouso, e da necessidade de que as famílias verifiquem as condições oferecidas antes de confiarem seus entes queridos a esses estabelecimentos.



