Suspeita é que exista superfaturamento nos acordos da companhia com o empresário
Escutas telefônicas realizadas pela Polícia Federal e pelo Gaeco, com autorização judicial no âmbito da Operação Cêvandija, revelam o ex-secretário da Educação de Ribeirão Preto, Ângelo Inverniz Lopes, combinando o recebimento de dinheiro com Johnson Correia, da empresa MS Tech. As gravações, datadas de junho deste ano, indicam uma possível transação financeira de origem suspeita.
Detalhes das Escutas e a Operação Cêvandija
Nas conversas, Inverniz questiona sobre a existência de dinheiro em um cofre, mas Regina, do outro lado da linha, demonstra desconhecimento. Ângelo menciona a necessidade de encontrar Johnson, com quem se reuniria na MS Tech durante o almoço. As investigações da Operação Cêvandija apontam que Johnson, proprietário da MS Consultoria, pode ter oferecido vantagens indevidas em troca de um contrato milionário com a Codep na área de informática.
Contrato Milionário e Irregularidades Apuradas
A apuração revelou que, na escola João Gilberto Sampaio, o serviço contratado era executado exclusivamente pela empresa de Johnson. O valor do contrato, obtido por meio de pregão, atingiu R$ 6,734 milhões. O Tribunal de Contas do Estado (TCE) constatou que a Codep atuou como intermediária e que recursos da educação foram utilizados para pagar a empresa de Johnson. A investigação também apontou um sobrepreço de 45% nos serviços prestados pela MS Consultoria.
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Análise do Observatório Social e a Transparência Questionada
Márcio Minouro Garcia Taqueuxi, presidente do Observatório Social, analisou o caso e identificou pontos duvidosos na contratação. Segundo ele, a contratação de uma empresa terceirizada para desenvolver softwares para a prefeitura, atividade que deveria ser restrita à Codep, levanta suspeitas. Embora os gastos da prefeitura estejam disponíveis no Portal da Transparência, o destino dos repasses à Codep não é claro. A prefeitura repassou mais de R$ 40 milhões à Codep somente neste ano, mas a companhia não detalha a aplicação desses recursos.
Posicionamento da Prefeitura e Defesas
A Prefeitura de Ribeirão Preto, em nota, afirmou que todos os gastos são divulgados no Portal da Transparência, justificando a falta de informações da Codep devido ao sistema ainda estar em desenvolvimento. A defesa de Johnson Correia alegou que ele apenas representava a empresa e nunca repassou dinheiro ao ex-secretário. O advogado de Ângelo Inverniz Lopes argumentou que a interpretação do Ministério Público sobre a conversa do ex-secretário é equivocada e distorcida.
As investigações seguem em andamento, buscando esclarecer as suspeitas de irregularidades e desvio de recursos públicos.


