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Polícia Federal faz pente fino nas contas de Maria Zuely Lubrandi

Agentes irão analisar se os R$ 38 milhões que Zuely recebeu da Prefeitura foram declarados
contas Maria Zuely Lubrandi
Agentes irão analisar se os R$ 38 milhões que Zuely recebeu da Prefeitura foram declarados

Agentes irão analisar se os R$ 38 milhões que Zuely recebeu da Prefeitura foram declarados

A Operação Sevandija, realizada no fim do ano passado, investigou uma fazenda de 98 hectares em Cajuru, propriedade de Maria Zoely Libranti, advogada que representou o sindicato dos servidores na homologação de um acordo com a prefeitura de mais de R$ 800 milhões. Para a Polícia Federal e o Gaeco, a fazenda seria uma garantia de renda para o grupo envolvido em um esquema de corrupção, diante do fim do mandato da prefeita Darci Vera.

Prejuízos milionários e inconsistências contábeis

Um relatório da equipe de investigação apontou um prejuízo de R$ 609.919 na fazenda em 2015. Chama atenção a ocultação de mais de R$ 38 milhões recebidos por Maria Zoely em honorários em 2013, fato considerado estranho pelo auditor contábil Weber Carlos de Carvalho. Ele destaca a necessidade de um levantamento na pessoa jurídica para entender o destino desse dinheiro, considerando a pequena distribuição de rendimentos aos sócios. A falta de distribuição de renda, nesse primeiro momento, é analisada como um ponto crucial da investigação.

Atividade econômica inexplicável

O especialista em agronegócio José Carlos de Lima Júnior afirma que, apenas com a criação de vacas leiteiras, a fazenda poderia render mais de R$ 100 mil por mês, com um faturamento líquido em torno de 20% desse valor. Para ele, os números demonstram que a propriedade não tem finalidade econômica, sendo sua despesa paga por meios desconhecidos, certamente não pela própria atividade econômica da fazenda. A situação é considerada atípica pelo especialista, que aponta duas possibilidades: um gestor inexperiente ou a prática de descarte do produto, o que não é normal em uma atividade rural.

Investimentos e justificativas da família

Leandro Libranti, filho de Maria Zoely, afirma que os honorários recebidos pela prefeitura foram declarados pelo escritório de advocacia da mãe e que boa parte do dinheiro foi investida em reformas, construções e compra de equipamentos na propriedade em 2015, justificando o prejuízo relatado. Ele também afirma que quase todo o gado leiteiro da fazenda foi comprado no segundo semestre do ano passado, sem venda de leite no ano anterior. O maquinário, mobiliário e outras benfeitorias foram confiscados para assegurar o ressarcimento aos cofres públicos em caso de condenação do grupo.

As investigações continuam para esclarecer as inconsistências financeiras e a falta de atividade econômica lucrativa na fazenda, buscando entender a verdadeira finalidade da propriedade e o destino dos recursos envolvidos.

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