A Polícia Civil de Guariba (SP) identificou a mãe da recém-nascida encontrada em uma lixeira na tarde de terça-feira (24), na rua Matão, no bairro Cohab 1. Segundo o delegado Reginaldo Félix, responsável pela investigação, trata-se de uma adolescente de 16 anos que escondeu a gravidez da família.
De acordo com a Polícia, a jovem relatou que sentiu fortes dores e provocou o nascimento da criança sozinha no banheiro de casa, enquanto apenas o irmão de 10 anos estava na residência. Após o parto, ela cortou o cordão umbilical, limpou a bebê, envolveu a criança em um tecido, colocou em uma caixa e deixou na lixeira de uma vizinha.
Relato da mãe
O delegado detalhou a versão apresentada pela adolescente. “Em meados de novembro e dezembro do ano passado, ela descobriu a gravidez. Até então ela não sabia e ela foi tocando essa gravidez sem que a mãe e o padrasto tivesse conhecimento. E ela conseguiu esconder, conseguiu ocultar.”
Ainda segundo ele, a jovem afirmou que manteve um relacionamento casual e consentido, sem violência, e que o pai da criança não sabia da gestação. O delegado também informou que a adolescente aparenta estar em estado depressivo, considerando o período pós-parto e as circunstâncias da gravidez ocultada.
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Resgate da bebê
A recém-nascida foi encontrada por um morador, o aposentado Antônio Venturim, que pensou se tratar de animais abandonados. “Conforme eu ergui, que eu vi, ela fez assim, falei: ‘Nossa, nenezinho, nenezinho bem pequenininho.’”
A dona de casa Vera Cavalini ajudou no socorro inicial e relatou o desespero do momento. “Eu peguei essa criança porque tava com um cordão umbilical mais placenta que um monte de coisa dentro daquele saco de lixo e água.” A bebê foi levada à Santa Casa de Guariba em um carro particular pelo padrasto da adolescente, que não sabia da gravidez.
Decisão judicial
O caso foi registrado como abandono de incapaz e será encaminhado à Vara da Infância e Juventude, com acompanhamento da assistência social, psicológico e do Ministério Público. A Justiça vai decidir se a criança permanecerá com a família da adolescente ou será encaminhada a outro lar.
Segundo o delegado, a avó demonstrou interesse em ficar com a neta, mas a definição dependerá de avaliação judicial. A adolescente deve prestar depoimento formal à Polícia Civil, já que a primeira oitiva ocorreu enquanto ela estava debilitada e em acompanhamento psicológico.



