A Polícia Militar Ambiental lançou nesta semana a Operação Uracã, ação anual voltada ao combate e à prevenção de incêndios durante o período seco na região de Ribeirão Preto. A iniciativa, realizada em duas etapas ao longo do ano, concentra-se na fiscalização de áreas de cana-de-açúcar e de vegetação nativa e tende a se intensificar entre maio e outubro, com objetivo de reduzir focos de queimadas antes da chegada do pico da estiagem.
Prevenção e fiscalização em campo
Segundo o capitão Rodrigo Antônio do Santos, comandante da companhia ambiental de Ribeirão Preto, a operação vai além da aplicação de sanções. “Essa operação não começa agora; ela já está em curso há vários anos, com ênfase na conscientização, mas com atuação fiscalizadora para verificar se os aceiros estão limpos entre cana de açúcar e mata”, afirmou em entrevista à CBN. A fiscalização inclui checagem dos planos de prevenção de incêndio das usinas e produtores, verificação de pontos de monitoramento, caminhões-pipa e demais recursos necessários para resposta rápida a focos.
Histórico de incêndios e principais causas
O comandante lembrou do impacto de episódios recentes na região. “O ano de 2021 foi particularmente difícil, com cerca de 7 mil hectares queimados em dois anos consecutivos e incêndios que se prolongaram por até 15 dias, com aeronaves mobilizadas para apagar as chamas”, relatou. O episódio reforça, na avaliação da corporação, a necessidade de ações preventivas contínuas, uma vez que a queima de resíduos vegetais afeta tanto a saúde pública quanto o meio ambiente.
O capitão também desmistificou a ideia de incêndios espontâneos: “Hoje sabemos que a ação humana, seja por negligência ou por irresponsabilidade, é a principal causadora dos focos de calor. Uma ponta de cigarro, aliada a vegetação seca, vento e baixa umidade, pode desencadear fogo.”
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Atuação integrada e responsabilização
A Operação Uracã atua em parceria com o Ministério Público e tem caráter preventivo e repressivo. Em campo, os agentes buscam reduzir riscos a microambientes que abrigam fauna e flora e, na presença de indícios de crime ambiental ou incêndio criminoso, adotam medidas para responsabilizar os envolvidos. A corporação informou que manterá a atuação até o início de novembro, período em que costuma intensificar a fiscalização em função das condições climáticas.
Ao encerrar a entrevista, o capitão Rodrigo agradeceu a cobertura da CBN e reforçou a importância de ações contínuas de prevenção para mitigar a devastação provocada pelas queimadas na região.



