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Polícia quer descobrir quem aliciou casal de Ribeirão para atuar para facções do Sul do país

Duas pessoas foram presas na cidade suspeitas de abrirem empresas para lavar dinheiro de quadrilhas
Polícia quer descobrir quem aliciou casal
Duas pessoas foram presas na cidade suspeitas de abrirem empresas para lavar dinheiro de quadrilhas

Duas pessoas foram presas na cidade suspeitas de abrirem empresas para lavar dinheiro de quadrilhas

A Polícia Civil abriu investigação para apurar como uma dupla presa em Ribeirão Preto foi recrutada por integrantes de duas facções que atuam no Sul do país e para identificar os responsáveis hierarquicamente acima dos suspeitos, que são apontados por participar de um esquema de lavagem de dinheiro.

Operação e prisões

As prisões ocorreram pela manhã durante o cumprimento de mandados expedidos pela Justiça gaúcha, dentro da Operação Esquadrão, deflagrada a partir de investigação do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). A mulher foi localizada em um sobrado no bairro Alexandre Balbo, zona Norte de Ribeirão Preto, e o homem foi preso em um hotel no centro da cidade. À tarde, ambos passaram por audiência de custódia e foram colocados em liberdade provisória. As identidades não foram divulgadas.

Como funcionava o esquema de lavagem

Segundo o delegado Santiago Neto, da Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes, o casal atuava como parte de um mecanismo para dar aparência de licitude a recursos provenientes do tráfico, por meio de contas bancárias e empresas de fachada. As investigações iniciais apontam que a dupla movimentou cerca de R$ 600 mil: R$ 190 mil na conta da mulher em dois meses e R$ 385 mil na conta do homem em apenas três dias. No total, a operação apurou valores que superam R$ 5 milhões.

O promotor do Gaeco, Frederico Camargo, observou que Ribeirão Preto historicamente já foi palco de operações envolvendo grandes organizações criminosas e que, na cidade, foram usados diversos mecanismos para ocultar a origem ilícita de recursos — entre eles contas de terceiros, imóveis em nomes de interpostas pessoas, procurações e contratos de gaveta.

Alcance nacional e investigação internacional

Além das prisões em Ribeirão Preto, a ação cumpriu 31 mandados de prisão, 43 de busca e 26 bloqueios de contas bancárias nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e São Paulo. As apurações também avançam em investigações em Portugal. Os investigados devem responder por crimes como lavagem de dinheiro, tráfico de drogas, porte ilegal de armas e comércio irregular de munições e armas de fogo.

As investigações começaram há mais de um ano, após a prisão em flagrante de um casal por tráfico de crack em Porto Alegre. A partir daí, as autoridades identificaram uma aliança entre dois grupos do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina que destinatavam recursos do tráfico para contas de empresas de fachada no Paraná e em São Paulo. Um homem apontado como responsável pela conexão entre os dois grupos teria, em 15 dias, movimentado mais de R$ 5 milhões. Também foi identificado um investigado naturalizado português que usava redes sociais para comercializar drogas e ostentar um estilo de vida luxuoso; ele cumpre pena em Portugal.

As investigações seguem em curso para identificar a cadeia de comando por trás do esquema e rastrear a origem e o destino final dos recursos bloqueados.

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