Polos de inovação do interior ganham força fora das capitais
O poder econômico no Brasil sempre se concentrou nas capitais, mas um movimento importante tem ganhado força nas últimas décadas: o avanço dos polos de inovação no interior do país. Cidades como Campina Grande, Campinas e Ribeirão Preto se destacam como territórios de produção de tecnologia, patentes, startups e ambientes de pesquisa. Vamos explorar as razões desse crescimento e os desafios para fortalecer esse movimento.
A Descentralização da Inovação
Por muito tempo, as capitais concentraram investimentos, infraestruturas, universidades e grandes empresas, atraindo a inovação. No entanto, o interior começou a construir sua própria força. Ribeirão Preto, por exemplo, tem seguido esse caminho com o crescimento do Supera Parque e das startups que surgem da interação entre pesquisa aplicada e empreendedorismo. Campinas também vive uma realidade semelhante, com uma base tecnológica robusta e intensa interação entre universidades, empresas e parques tecnológicos. Campina Grande se tornou uma referência nacional em produção científica, com a universidade local entre as maiores depositantes de patentes no Brasil.
O Papel dos Parques Tecnológicos
Os parques tecnológicos desempenham um papel decisivo na interiorização da inovação, reduzindo as barreiras para transformar conhecimento em produto. Eles oferecem infraestrutura física, como laboratórios e espaços de prototipagem, além de suporte técnico, gestão de propriedade intelectual, mentorias e conexões com o mercado. A proximidade com universidades acelera o nascimento e o crescimento das startups, criando uma cultura de inovação baseada na colaboração e troca de conhecimento. Isso permite que empresas de base tecnológica nasçam, permaneçam e gerem impacto regional sem precisar migrar para as capitais.
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Vantagens e Desafios da Inovação no Interior
Inovar no interior oferece vantagens como custos operacionais mais acessíveis, acesso a talentos de universidades qualificadas e proximidade com cadeias produtivas regionais. Em Ribeirão Preto, por exemplo, o agronegócio e a saúde abrem espaço para testes, projetos pilotos e desenvolvimento de soluções alinhadas às necessidades locais. A visibilidade local também é uma vantagem, permitindo que startups construam reputação e parcerias mais rapidamente. No entanto, os polos de inovação do interior enfrentam desafios como o acesso a capital de risco, a falta de fornecedores e especialistas específicos, a necessidade de maior visibilidade e as barreiras regulatórias em setores como biotecnologia e saúde.
O processo de nascimento e crescimento de uma startup no interior se beneficia de custos operacionais mais baixos, permitindo que a empresa invista mais em pesquisa e desenvolvimento. O acesso próximo à universidade facilita a colaboração e a aplicação concreta das ideias, gerando projetos com aderência local e potencial de escalabilidade. Para que polos como o Supera Parque ganhem escala comparável aos das capitais, é preciso integrar capital, infraestrutura, visibilidade e políticas públicas de apoio.
Existem exemplos de startups do Supera Parque com potencial de interiorização da inovação e resultados internacionais, como a Iosem, com atuação na China, e a Quimera Biotecnologia, com patente registrada na Europa e autorização para produzir biofármacos. A inovação de alto nível depende de um ambiente de pesquisa, apoio e coragem dos empreendedores, elementos que encontramos em pleno funcionamento no interior do país.
O interior demonstra um grande potencial de inovação, com startups alcançando resultados notáveis. O futuro da tecnologia brasileira passa, sem dúvida, pela descentralização e pelo fortalecimento desses polos regionais.



