Ouça a coluna ‘CBN Saúde’, com Fernando Nobre
O incessante fluxo de veículos nas grandes cidades tem gerado preocupação global devido à poluição ambiental, tanto por gases nocivos quanto por ruídos prejudiciais à saúde. O aumento expressivo da frota de veículos no Brasil, com um crescimento de quase 120% em carros e mais de 400% em motos em dez anos, agrava essa situação. Atualmente, o país possui cerca de 90 milhões de veículos, o que equivale a quase um veículo para cada dois habitantes, e a tendência é que esse número continue a crescer.
Impacto do Ruído do Trânsito na Saúde Cardiovascular
Pesquisadores da Universidade de Londres realizaram um estudo que avaliou a relação entre os ruídos do trânsito e a ocorrência de problemas cardiovasculares, como hipertensão arterial, hospitalizações e mortalidade. O estudo analisou pacientes admitidos em hospitais de Londres, uma das maiores cidades da Europa, com cerca de 8,5 milhões de habitantes.
Resultados da Pesquisa e Grupos de Risco
A pesquisa dividiu as observações em dois períodos: das 7h às 23h (vigília) e o restante da noite, considerando dois grupos etários: pessoas com mais de 25 anos e idosos com mais de 75 anos. A média de exposição aos ruídos do trânsito durante o dia foi de 56 decibéis, equivalente ao barulho de conversas muito altas. Os indivíduos expostos a esse nível de ruído apresentaram, em média, um aumento de 5% na chance de sofrer um derrame cerebral, independentemente de outros fatores de risco. Nos idosos, esse risco dobrou, chegando a 10% a mais.
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Consequências Adicionais e Implicações
Além do aumento no risco de AVC em idosos, o ruído noturno também se mostrou correlacionado com essa condição. Adicionalmente, foram observados aumentos na mortalidade por doenças cardiovasculares, como infarto do miocárdio, com resultados similares entre idosos e não idosos.
Os resultados apontam que a exposição contínua aos ruídos do trânsito pode estar associada a um aumento no risco de mortalidade cardiovascular e de ocorrência de doenças graves, como derrames cerebrais, especialmente em indivíduos mais velhos. Embora os riscos individuais possam não ser extremamente elevados, eles representam um fator a ser considerado no contexto da saúde pública e da qualidade de vida nas cidades.