Quem analisa essa contradição dos dados e os caminhos para buscar uma condição melhor ao país é o colunista Bruno Silva
Entre 2012 e 2021, o Brasil apresentou avanços na educação e na longevidade que contribuíram para a manutenção do nível de desenvolvimento humano no país, População brasileira empobreceu, mas índices de educação e longevidade melhoraram, conforme aponta relatório do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). No entanto, o mesmo documento indica que, nesse período, houve um aumento da pobreza entre a população brasileira.
O Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM) do Brasil passou de 0,746 para 0,766 na última década. Esse índice varia de 0 a 1, sendo que valores mais próximos de 1 indicam maior nível de desenvolvimento humano. O IDHM considera três dimensões principais: longevidade, educação e renda.
Avanços e desafios na educação e longevidade
Bruno Silva, especialista em políticas sociais, destacou que os dados refletem uma realidade complexa e multifacetada. Segundo ele, o aumento da extrema pobreza — definida como viver com menos de R$ 200 por mês — foi observado especialmente no período imediatamente após a pandemia de Covid-19. Entre 2022 e 2024, o governo federal intensificou investimentos para combater essa situação, buscando garantir acesso à renda para as populações mais vulneráveis.
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Silva ressaltou a importância da educação como um fator determinante para a melhoria da qualidade de vida a médio e longo prazo. “Os maiores níveis educacionais estão associados a melhores salários no mercado de trabalho”, afirmou. Ele explicou que a pobreza está relacionada a condições precárias de moradia e saneamento básico, o que impacta diretamente o sistema público de saúde.
Relação entre pobreza, educação e políticas públicas: O especialista enfatizou que a educação pode ser uma ferramenta para interromper o ciclo da pobreza crônica no Brasil. Ele citou as políticas de cotas como exemplo de medidas que visam ampliar o acesso à educação e, consequentemente, às oportunidades no mercado de trabalho, promovendo maior equidade social.
Além disso, Silva destacou que a desigualdade social é um problema estrutural no país, que precisa ser enfrentado para que os avanços no desenvolvimento humano sejam mais amplos e duradouros. “Mais do que olhar para a pobreza, é necessário analisar a desigualdade social, que é característica do Brasil”, afirmou.
Desigualdades regionais no desenvolvimento humano
O relatório do PNUD também revela disparidades regionais no IDHM. Os maiores crescimentos foram registrados nos estados de Alagoas, Pernambuco e Piauí, enquanto as maiores quedas ocorreram em Roraima, Amapá e no Distrito Federal. Essa variação indica desequilíbrios no progresso social e econômico entre as diferentes regiões do país.
O IDHM sintetiza indicadores de longevidade, educação e renda, que estão interligados, mas podem apresentar desequilíbrios. Para complementar a análise, especialistas recomendam o uso do índice de Gini, que mede a concentração de renda e a desigualdade social.
Informações adicionais
O Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) é um indicador criado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) para medir o progresso social e econômico dos países. Ele considera três dimensões: expectativa de vida ao nascer (longevidade), nível educacional (anos médios de estudo e expectativa de anos de estudo) e renda per capita. O IDHM é a adaptação desse índice para o nível municipal.
O índice de Gini varia de 0 a 1, onde 0 representa perfeita igualdade na distribuição de renda e 1 indica máxima desigualdade. O Brasil é conhecido por apresentar altos níveis de desigualdade, o que impacta diretamente nas condições de vida da população.