Ouça a reportagem da CBN Ribeirão
A cidade de Barrinha enfrenta novamente um clima de tensão após atos de vandalismo em resposta à morte de Thiago Antônio da Silva, de 26 anos, por um guarda civil municipal. O sepultamento de Silva ocorreu na tarde de ontem, no cemitério local.
Ondas de Protestos e Destruição
Assim como na segunda-feira, um grupo de manifestantes voltou a atacar prédios públicos. A sede do Conselho Tutelar foi incendiada, mas o Corpo de Bombeiros conseguiu controlar as chamas. Uma viatura da Polícia Militar foi danificada, e uma pessoa foi detida por desobediência, sendo posteriormente liberada após prestar depoimento. Reforços policiais de Ribeirão Preto e Sertãozinho foram enviados para auxiliar na contenção da situação.
Acusações e Irregularidades na GCM
Testemunhas acusam o comandante da Guarda Civil Municipal (GCM), William América Campanini, de 28 anos, de ter atirado à queima-roupa em Thiago Silva após uma discussão. O delegado Rodrigo Pimentel declarou que o guarda não tinha autorização para portar arma, já que Barrinha não se enquadra nos critérios da lei 10.826, que permite o porte de arma para guardas municipais de cidades com mais de 50 mil habitantes. Comerciantes locais, temendo pela segurança, foram forçados a fechar seus estabelecimentos.
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Investigações em Andamento
O comandante da Polícia Militar, Francisco Mangu Neto, anunciou a abertura de um inquérito para investigar a não prisão em flagrante do guarda municipal. Segundo ele, a GCM se deslocou para uma área rural, seguida pela PM. Diante da necessidade de socorrer a vítima, os policiais militares priorizaram o atendimento, já que o guarda já havia sido identificado. Tanto a Polícia Militar quanto a Polícia Civil abrirão inquéritos para apurar os fatos, buscando esclarecer as divergências entre os depoimentos de testemunhas e policiais.
Denúncias de Ilegalidade na Criação da GCM
Uma denúncia grave veio à tona: a Guarda Municipal de Barrinha teria sido criada sem estatuto, sem concurso público para a contratação de servidores e sem treinamento adequado. O ex-advogado da prefeitura, Geraldo Bombonato, que acompanhou a formação da Guarda, alega que o processo foi ilegal, pois não há lei municipal que crie o serviço. Um guarda municipal anônimo confirmou que foi obrigado a exercer a função e que os guardas recebiam armas sem permissão e sem treinamento. O prefeito de Barrinha, Mitú da Carraça, negou as acusações, afirmando que os guardas não deveriam atuar no combate ao crime nem portar armas.
Diante dos eventos recentes e das investigações em curso, a comunidade de Barrinha aguarda por respostas e medidas que restabeleçam a ordem e a confiança nas instituições.



